
Cartaz |
História de Lenços e Ventos - 1991
(INFORMAÇÕES DO CARTAZ/PROGRAMA)
História de Lenços e Ventos representa um verdadeiro divisor
de águas no teatro infantil brasileiro. Com sua estética inovadora,
o espetáculo transborda criatividade, utilizando de forma inusitada
os mais diversos materiais. Verdadeiro caleidoscópio visual, intensamente
musical,
História de Lenços e Ventos cativa a todos, crianças
e adultos que se encantam com o clima mágico do espetáculo.
Manuseando bonecos, lenços, latas, instrumentos musicais e objetos
inesperados, os atores dão vida a simpaticíssimos personagens,
para contar de forma alegre e bem humorada as aventuras do lenço
Azulzinha e seu amigo
Papel. Fábula sobre a liberdade,
ambientada nos quintais mágicos da infância, fala da vontade de
voar e de crescer, de conhecer novos horizontes; e da força do
afeto do personagem
Papel, que ultrapassa grandes obstáculos
para resgatar
Azulzinha do poder opressivo do
Rei Metal
Mau. A criatividade e a inteligência são forças tão poderosas
quanto o vento.
"Dezessete anos depois, o elenco original reúne-se novamente, de
forma emocionada, para recontar
História de Lenços e Ventos
a uma nova geração carioca."
Alice Reis

Convite de estréia de 01 de julho de 1991, encerrando a
temporada de ocupação (horário infantil) do Grupo Hombu,
no Teatro Cacilda Becker. |
A remontagem de
História de Lenços e Ventos, 17 anos
após sua estréia na Sala Corpo/Som do MAM, no Rio de Janeiro,
significa não apenas a volta ao cartaz de um dos mais marcantes
e premiados espetáculos do teatro infantil brasileiro - mas,
principalmente, o reencontro de dois dos mais importantes grupos
de teatro do país: o
Ventoforte e o
Hombu.
O
Ventoforte, dirigido por Ilo Krugli, nasceu em 1974
a partir da preocupação de seus integrantes - na sua maioria,
também educadores - em desenvolver um trabalho coletivo, baseado
em novas utilizações do espaço cênico e da linguagem teatral
para crianças.
Primeiro, trabalho do Ventoforte,
História de Lenços e Ventos teve
uma carreira consagradora: permaneceu um ano em cartaz e arrebatou
os mais importantes prêmios no ano de 1974. Montada por diversos
grupos em todo país, Lenços e Ventos foi reencenada pelo próprio
Ilo Krugli ainda três vezes, sendo premiadíssima novamente em
1980, em São Paulo.
Após
Histórias de Lenços e Ventos, o Ventoforte estreou,
sempre com sucesso,
Da Metade do Caminho ao País do Último
Círculo (em 1975) - em duas versões para crianças e adultos
- e Pequenas Histórias de Lorca (em 1976) para adultos.
Em 1977, Silvia Aderne, Beto Coimbra, Tarcísio Ortiz , Sérgio
Fidalgo e Regina Linhares, participantes em diversos momentos
do Ventoforte, decidiram criar o próprio grupo. Dessa decisão
nasceu então o Hombu.
O
Grupo Hombu, consagrado desde sua primeira montagem,
A Gaiola de Avatsiú, em 1977 (diversas vezes premiada, inclusive
com o primeiro Molière concedido ao Teatro Infantil), firmou-se
como um grupo reconhecido pela seriedade de suas propostas e
pela qualidade de suas montagens, tais como
Fala Palhaço,
Ou Isto ou Aquilo e
A Comédia do Coração.
O Grupo Hombu vem ocupando, desde fevereiro de 1991, o Teatro
Experimental Cacilda Becker, remontando os mais importantes
espetáculos de seu repertório:
Fala Palhaço,
A Gaiola
de Avatsiú... Surgiu, então, o convite a Ilo Krugli para
reencenar
História de Lenços e Ventos, que encerrará,
de maneira muito especial, este projeto, reunindo o elenco completo
da montagem original de 1974.
"Ao final, assistiremos ao começo: Ventoforte e Hombu em
Histórias
de Lenços e Ventos - no ano XVII."
Ângela Reis
Alice Reis
Arnaldo Marques
Beto Coimbra
Caíque Botkay
Gulu Monteiro
Ilo Krugli
Silvia Aderne
Sylvia Heller
Walkyria Alves
Alguns espetáculos dessa temporada não contarão com a presença
de Ilo Krugli, que será substituído por Arnaldo Marques
no personagem Papel. |
História de Lenços e Ventos:
de Ilo Krugli
Músicas: Beto Coimbra e Caíque Botkay Cenários e figurinos:
Ilo Krugli
Execução de Figurinos: Sylvia Heller, Sílvia Aderne e Tânia
Dias
Objetos de Cena: Ilo Krugli
Apoio Técnico: Leninha Pires, Emmanuel Santos
Iluminação: Roberto Mello
Operador de luz: Edmur
Direção Musical: Caíque Botkay e Beto Coimbra (assistência)
Músico convidado: Queca Vieira
Preparação Corporal: Sylvia Heller
Divulgação: Maria Cristina Miguez
Administração: Luis Battistella, Tânia Dias
Cartaz: Ilo Krugli
Diagramação e Finalização do Programa: Mari Monteiro
Finalização Cartaz: Luiza Novaes
Fotografia: Beto Coimbra
Direção de Produção: Arnaldo Marques
Assistência de Produção: Ângela Reis e Heloisa Stockler
Produção Executiva: Sandra Kroef
Produção: Hombu Produções Artísticas Ltda.
Assistência de Direção: Alice Reis
Direção Geral: Ilo Krugli |
Histórias de Lenços e Ventos, de Ilo Krugli, chega a São
Paulo depois de muitos anos de consagração nacional, de vez que
foi vista por críticos e educadores de todo o país, merecendo
elogios que raramente se fizeram à cena infantil. Hoje, quase
um muito de nossos palcos, causa espanto aos que a vêem pela primeira
vez: porque uma coisa tão simples atingiu a unanimidade das opiniões
como o verdadeiro marco divisor de águas em nosso teatro? Esquecem-se
tais pessoas de que o difícil em arte é ser simples. E que a simplicidade
é justamente o que faltava ao gênero.Mas a peça, antropológica,
tem bem mais do que isso.
(...) longe, assim, de ser um espetáculo a mais no gênero, História
de Lenços e Ventos fica no repertório de nosso teatro como um
exemplo de realização e bom gosto a ser seguido em sua postura
(...)."
Carlos Ernesto de Godoy -
Revista Visão, 7 de julho de 1980
"(...) Acredito que o melhor espetáculo atualmente em cartaz no
rio - o melhor, no sentido de ser o mais criativo e poético, e
de realizar com a maior coerência e inspiração a proposta teórica
da sua concepção - talvez seja um espetáculo oficialmente enquadrado
na categoria de teatro infantil: História de Lenços e Ventos,
de Ilo Krugli (...) E toda essa pequena jóia (...) foi feita com
meios de produção extremamente modestos. Aqueles que costumam
justificar a ruindade de determinados espetáculos com a falta
de adequadas condições econômicas, deveriam ser condenados a assistir
dez sessões seguidas de História de lenços e Ventos. Eles perceberiam
então que com inteligência e sensibilidade e muito pouco dinheiro
pode-se fazer teatro de melhor qualidade."
Yan
Michalski - JB, 07/06/74
"O MAM está apresentando um espetáculo da mais alta categoria
que toda criança merece ver. História de Lenços e Ventos é uma
montagem de grande beleza plástica, com muito senso de rítmo teatral.
Um texto sensível, apoiado em música de qualidade, é desenvolvido
por um trabalho maduro de atores que cantam, dançam, representam,
são platéia, animam objetos e bonecos, sem se poupar, numa entrega
total à vitalidade do espetáculo. Mas é também muito mais que
isso. É um ato de fé no teatro e na criança (...)."
Ana
Maria Machado - JB, 25/05/74

Programa |
História de Lenços e Ventos - 1991
(INFORMAÇÕES DO PROGRAMA)
(Página 1)
Este espetáculo é dedicado a
Nossos mestres
Augusto Rodrigues, pela importância de seu projeto pioneiro
para a arte e a criança no Brasil;
Nise da Silveira, pela sua profunda visão do Homem, que
valoriza as expressões individuais independentemente de condição
social, idade ou situação psíquica;
E nossos Companheiros
Ana Maria Machado e
Yan Michalski (in memorian)
que desbravaram conosco, em 1974, o teatro para crianças neste
nosso país.
(Página 2)
História de Lenços e Ventos representa um verdadeiro
divisor de águas no teatro infantil brasileiro. Com sua estética
inovadora, o espetáculo transborda criatividade, utilizando
de forma inusitada os mais diversos materiais. Verdadeiro caleidoscópio
visual, intensamente musical, "História de Lenços e Ventos"
cativa a todos, crianças e adultos que se encantam com o clima
mágico do espetáculo. Manuseando bonecos, lenços, latas, instrumentos
musicais e objetos inesperados, os atores dão vida a simpaticíssimos
personagens, para contar de forma alegre e bem humorada as aventuras
do lenço
Azulzinha e seu amigo
Papel. Fábula sobre
a liberdade, ambientada nos quintais mágicos da infância, fala
da vontade de voar e de crescer, de conhecer novos horizontes;
e da força do afeto do personagem Papel, que ultrapassa grandes
obstáculos para resgatar Azulzinha do poder opressivo do
Rei
Metal Mau. A criatividade e a inteligência são forças tão
poderosas quanto o vento.
Dezessete anos depois, o elenco original reúne-se novamente, de
forma emocionada, para recontar História de Lenços e Ventos a
uma nova geração carioca.
(Página 3)
O Reencontro
A remontagem de
História de Lenços e Ventos significa
não apenas a volta ao cartaz de um dos mais marcantes e premiados
espetáculos do teatro infantil brasileiro mas, principalmente,
o reencontro de dois importantes grupos de teatro do país: o
Ventoforte e o
Hombu.
O
Ventoforte, dirigido por Ilo Krugli, nasceu em 1974
a partir da preocupação de seus integrantes - na sua maioria,
também educadores - em desenvolver um trabalho coletivo, baseado
em novas utilizações do espaço cênico e da linguagem teatral
para crianças.
Primeiro, trabalho do Ventoforte,
Lenços e Ventos teve
uma carreira consagradora: um ano em cartaz na Sala Corpo/Som
do MAM, no Rio de Janeiro. Pela primeira vez se via em cena
um grupo que envolvia a platéia Na representação da peça; que
brincava com latas, jornais e panos, dando vida a esses objetos
como só as crianças o fazem; que transforma o teatro todo num
grande quintal em festa, onde todos podiam participar de um
ritual poético de transformação da vida.
(Página 4)
O espetáculo definiu as marcas do trabalho do Ventoforte, presentes
em todas as montagens do grupo (em atividade ininterrupta até
hoje): o resgate da criança que há dentro de cada um de nós;
a procura da liberdade e da poesia; o aprendizado da destruição
e da reconstrução; a abertura do espaço cênico e a comunhão
com o público através da festa e da brincadeira. Para Ilo Krugli,
criador e diretor do grupo em seus dezessete anos de histórias,
"o papel do artista sempre foi colocar coração nessa grande
máquina de concreto que foi jogada sobre nós."
Em 1977, Sílvia Aderne, Sérgio Fidalgo, Regina Linhares, Tarcísio
Ortiz e Beto Coimbra, participantes em diversos momentos do
Ventoforte, resolveram criar seu próprio grupo. Nasceu então
o
Hombu, que canalizou não apenas os anos de experiência
em teatro para crianças de seus integrantes como, principalmente,
o desejo de continuar buscando outros caminhos e novas linguagens.
(Página 5)
A Gaiola de Avatsiú, primeira montagem do grupo, foi
realizada a partir do estudo de lendas indígenas brasileiras,
e enfocava, através de personagens como Tiê-sangue, a Arara
e o Rouxinol, aprisionados por um caçador, o conflito entre
a liberdade e a opressão. O espetáculo recebeu vários prêmios,
entre os quais o Molière de Incentivo ao Teatro Infantil, em
1977, e foi o primeiro de uma série de montagens do Grupo Hombu,
como
Fala Palhaço,
Ou Isto ou Aquilo e
A Comédia
do Coração.
Em 1990 Sílvia Aderne e Beto Coimbra retomaram as atividades
do Hombu, remontando
Fala Palhaço no Teatro Cândido Mendes.
Em 1991, o grupo passou a ocupar o horário infantil do Teatro
Cacilda Becker, promovendo a apresentação de Fala Palhaço simultaneamente
à remontagem de
A Gaiola de Avatsiú.
Surgiu, então, o convite a Ilo Krugli para o reencontro. Reunindo
o elenco original de 1974,
História de Lenços e Ventos encerrará o período de ocupação do Teatro Cacilda Becker.
Ao final assistiremos ao começo: o "Reencontro Ventoforte/Hombu"
em
História de Lenços e Ventos - no ano XVII.
(Página 6)
Um espetáculo fora de série
O MAM está apresentando um espetáculo da mais alta categoria
que toda criança merece ver. História de Lenços e Ventos é uma
montagem de grande beleza plástica, com muito senso de ritmo
teatral. Um texto sensível, apoiado em música de qualidade,
é desenvolvido por um trabalho maduro de atores que cantam,
dançam, representam, são platéia, animam objetos e bonecos,
sem se poupar, numa entrega total à vitalidade do espetáculo.
Mas é também muito mais que isso. É um ato de fé no teatro e
na criança. Partindo do pressuposto de que o público infantil
tem inteligência e sensibilidade, além de um nível de informação
que a maioria das peças infantis, por comodismo, prefere ignorar,
História de Lenços e Ventos comove e faz pensar, com recursos
eminentemente teatrais, que vão do teatro de sombras e ecos
de procissões chinesas, chamando a si a riqueza viva do teatro.
E tido sem a menor pieguice, sem tatibitabe, sem apelos à participação
gratuita, sem menosprezo pela integridade psíquica da criança.
Ana Maria Machado - JB, 25
de maio de 1974
No sopro dos ventos, a beleza eterna dos lenços
A temporada de teatro infantil carioca está atualmente dominada
pela remontagem de História de Lenços e Ventos, de Ilo Krugli,
que as crianças já viram há dois anos. É uma excelente oportunidade
de ver um belíssimo espetáculo - todos sabem como criança adora
repetir aquilo que gosta. E quem não assistiu ainda vai poder
agora entender porque a peça se transformou num marco de nosso
teatro. Desta vez, no palco italiano do Gláucio Gill, se a montagem
perde, a festiva informalidade é o intimismo com a platéia que
acompanhavam na sala Corpo/Som do MAM, em compensação ganha
uma certa solenidade e rende muito mais em termos de aproveitamento
de recursos de iluminação. O trabalho de som está ainda mais
elaborado, cheio de pequenos toques sutis e criativos que só
engrandecem o espetáculo. Em cena, um número maior de lenços
acentua a atmosfera feérica. Pessoalmente, já vi esse espetáculo
cinco vezes em palco diferentes de diversas cidades - não só
ele se mantém sempre um dos momentos mais comoventes da minha
experiência de espectadora, mas a cada vez descubro novas coisas.
Agora, com a participação da platéia foi a descoberta da fina
destruição do maniqueísmo, ao ouvir um menino propor que o herói
- Papel renascido não seja só mais forte, mas também um pouco
ruim, para poder enfrentar o poder do vilão em melhores condições.
Pouco depois, o destaque à fraqueza e coragem do mine-soldado
do exército do Rei Metal Mau acentua a perene humanidade de
qualquer um, independente do lado em que estiver. A história
é excelente. Os recursos teatrais são empregados com uma generosidade
e uma investida raramente vistas: teatro de bonecos, de sombras,
aproveitamento de objetos cotidianos e materiais diversos, lembranças
de festivais populares chineses no desfile do dragão, e um integral
trabalho de atores. Um espetáculo que dignifica a criança e
o teatro. Merecem ainda ser recomendados: Andar sem Parar de
Transformar (um belo espetáculo ao alcance dos bem pequeninos),
Viagem Sideral (sobretudo pelo texto, atraente aos maiores),
O Dragão (para pré-adolescentes); e o circo continua sua temporada.
Ana Maria Machado
O lenço Azulzinha e o personagem Papel
Pode parecer exagero ou desproposito, mas acredito que o melhor
espetáculo atualmente em cartaz no Rio - o melhor, no sentido
de ser o mais criativo e poético, e de realizar com a maior
coerência e inspiração a proposta teórica da sua concepção -
talvez seja um espetáculo oficialmente enquadrado na categoria
de teatro infantil: História de Lenços e Ventos, de Ilo Krugli,
que pode ser visto no Museu de Arte Moderna, nas tardes de sábado
e domingo. Não pretendo abordar aqui a adequação do espetáculo
ao público específico ao qual ele se destina: Ana Maria Machado
já se ocupou do assunto na coluna Aonde Levar Crianças de sábado.
Quero apenas a atenção dos leitores para a notável qualidade
do empreendimento visto como uma realização teatral tout court,
independentemente do seu rótulo de espetáculo para crianças.
O que me impressiona em Histórias de Lenços e Ventos é o intenso
sopro de teatralidade que o percorre de ponta a ponta. Teatralidade
quer dizer, entre outras coisas, intensidade de vida levada
às últimas conseqüências; e uma vida das mais intensas que possam
ser imaginadas vibra em cada cena e cada elemento do espetáculo,
Empostando magnificamente o seu trabalho dentro de um clima
autenticamente mágico, Ilo Krugli dá vida a lenços, bonecos
e inúmeros outros objetos normalmente considerados como inanimados,
Um dos pontos altos do espetáculo é o momento em que um pedaço
de papel de Jornal que todos fomos convencidos a aceitar com
um personagem chamado Papel, é imolado numa fogueira. Todos
nós sofremos na própria carne a morte deste pedacinho de papel
magicamente transformado em personagem. Mas a maneira poética
pela qual esta morte é cenicamente proposta faz com que o sofrimento
não se transforme em desespero: o personagem Papel morreu queimado,
mas antes disso já vimos que basta um novo pedacinho qualquer
de papel para criar um novo personagem chamado Papel. Tão querido
quanto o primeiro Papel. Tão querido quanto o lencinho - personagem
chamado Azulzinha.
Obviamente não só os objetos inanimados tem vida. Os atores
também: eles atual com uma vitalidade, uma simplicidade, um
entusiasmo e alegria, de encher as medidas. Todos estão exemplarmente
unidos na mesma proposta interpretativa, mas pela sutileza maior
de seu senso de humor, o próprio Ilo Krugli e Silvia Aderne
destacam-se ligeiramente dos demais, todos excelentes: Alice
Reis, Silvia Heller, Caíque Botkay e Beto Coimbra.
A vida vibra também na exemplar musicalidade do espetáculo -
musicalidade que se manifesta não só nos momentos em que as
simpaticíssimas músicas estão sendo cantadas ou tocadas, mas
também np movimento harmonioso dos corpos no espaço mas, também
nos silenciosos. A vida vibra também no caleidoscópio das imagens
concretas e abstratas que ocupam nosso campo visual num constante
vai e vem. Numa certa hora, os lenços coloridos dançam roda,
formando um quadro que eu gostaria de levar para casa e pendurar
na parede, se não soubesse que tal transplante - que, dentro
do clima mágico da festa me pareceria em tese possível - esvaziaria
a riqueza da imagem, indissoluvelmente ligada ao que a belíssima
composição coreográfico - plástica tem de movimentado, dinâmico.
O texto, se analisássemos como elemento avulso, talvez não pareceria
à altura da encenação. Ele é composto de pequenos flashes que,
examinados cada um por si, não parece fazer muito sentido e
corre o risco de não se ligar coerentemente uns aos outros.
Mas à medida que o espetáculo se desenrola, as coisas começam
a se amarrar perfeitamente, graças à complementação que a mensagem
verbal recebe das riquíssimas insinuações plásticas, gestuais
e sonoras. Por outro lado, os diálogos têm uma carga de humor
cujo charmoso non sence não o impede de ser inteligentemente
crítico e irônico.
E toda essa pequena jóia - que deveria ser mostrada pelo menos
uma noite por semana ao público adulto - foi feita com meios
de produção extremamente modestos. Aqueles que costumam justificar
a ruindade de determinados espetáculos com a falta de adequadas
condições econômicas, deveriam ser condenados a assistir dez
sessões seguidas de História de Lenços e Ventos. Eles perceberiam
então que com inteligência, sensibilidade e muito pouco dinheiro
pode-se fazer teatro de melhor qualidade.
Yan Michalski - JB, 07/06/74
(Página 11)
"Lenços e Ventos" - Caminhando com o Ventoforte
1974 - Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, São João del Rey,
Ouro Preto. 1976 - Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Estado
do Rio.
1977 - Belo Horizonte
1978 - Salvador
1980 - São Paulo
1981 - Salvador, Genebra (Suíça), Monthey (Suíça), Annenasse
(França), Annecy (França), Lisboa (Portugal).
1982 - Juiz de Fora
1985 - Brasília
1986 - Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas.
1987 - São Paulo
1988 - Brasília, Florianópolis, Campinas, Havana (Cuba).
1991 - Rio de Janeiro
(Página 12)
PRÊMIOS
Recomendação Especial
Associação Carioca de Críticos Teatrais - RJ, 1974
Um dos cinco Melhores do Ano
SNT - RJ,1974
Molière (Autor Diretor - Ilo Krugli)
Air France - RJ 1976
Mambembe (Direção e Cinco Melhores do Ano)
SNT - SP, 1980 Grande Prêmio da Crítica APCA - SP, 1980
História de Lenços e Ventos foi encenada diversas vezes
em todo o país, por grupos profissionais, amadores e até em
brincadeiras de quintal. Dentre essas montagens, quatro foram
realizadas pelo Ventoforte com os seguintes atores e músicos.
1974
Alice Reis, Arnaldo Marques, Beto Coimbra, Caíque Botkay, Ilo
Krugli, Richard Roux, Silvia Aderne, Sylvia Heller.
1976
Beto Coimbra, Ilo Krugli, Paulo César Brito, Pedro Veras, Regina
Costa, Silvia Aderne, Sérgio Fidalgo, Tarcísio Ortiz, Walquíria
Alves, Xuxa Lopes.
1980
Cyntia de Gusmão, Damilton Viana, Ilo Krugli, Márcia Correa,
Marilda Alface, Paulo César Brito, Paulo Freire, Sônia Piccinin,
Thaia Perez, Tião de Carvalho.
1987
Ângelo Tokutake, Edgar Lippo, Fátima Campidelli, Ilo Krugli,
Laurent Lucien, Luís Laranjeiras, Márcia Fernandez, Paulo Roberto
Souza Campos, Paulo da Rosa, Rosa Comporte, Selma Bustamante,
Sueli Mazze.
1991
Alice Reis, Arnaldo Marques, Beto Coimbra, Caíque Botkay, Gulu
Monteiro, Ilo Krugli, Queca Vieira, Sílvia Aderne, Sylvia Heller,
Walkyria Alves.