
Cartaz |
O Mistério das Nove Luas - 1977
(INFORMAÇÕES DO CARTAZ/PROGRAMA)
MISTÉRIO DAS NOVE LUAS
Casamento - Começo
Caminhada em Nove Luas
1ª. Lua Seguindo as pegadas
2ª. Lua Pegadas da Velha
3ª. Lua Lua dos dois caminhos
4ª. Lua Lua do passado
5ª. Lua Uma lua especial
6ª. Lua Eclipse
7ª. Lua O Circo Mais Pobre do Mundo
8ª. Lua Uma lua dividida
9ª. Lua Uma lua de muitas penas soltas
Nascimento - Despedida
Porteiro do Escuro: Coitado da onça. Ela vai se perder.
Porteiro do Claro: Onça não se perde: ela fica em qualquer lugar.
Porteiro do Escuro: Onça não volta?
Porteiro do Claro: Onça não tem casa. Gente é que tem casa e quando
fica longe e não sabe voltar se perde. Porteiro do Escuro: Ah!
Mas se a onça não se perde, a gente se perde.
Porteiro do Claro: Quando ficar escuro, a gente não vai conseguir
achar a onça.
Porteiro do Escuro: E nem a onça vai saber que está procurando
por ela.
Porteiro do Claro: E a estrada não vai nem saber quem passa: se
é gente que se perde, ou onça que não se perde.
Porteiro do Escuro: Então, vamos levar o lampião pra poder iluminar
o escuro.
Autores: Ilo
Krugli, Paulo César Brito, Sonia Piccinin
Direção, Cenários, Figurinos: Ilo Krugli
Música: Ronaldo Mota
Coordenação Musical: David Tygel
Assistente e realização de Figurinos: Biza de Souza
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Objetos de cena: Grupo Ventoforte e Paulo César Lotufo
Fotografia: Sebastião Barbosa
Operadores de luz: A. Elias e Cláudio Piovesan
Maquinista: Sabu
Costureiras: D. Neli e Maria
Bilheteiros: Zé da Cabra e Modesto |
Atores: Personagens
Biza de Souza: Menina do Cabrito e Onça
Ilo Krugli: Palhaço Não Sei
Paulo César Brito: Porteiro do Claro, Dono do Circo
Queca Vieira: Cabrito
Regina Costa: Velha das Ervas, Apresentadora do Circo
Márcia Correa: Menina do Cabrito, Onça
Ronaldo Mota: Contra-mestre
Sebastião Lemos e Ricardo Howat: Homem Especial
Sonia Piccinin: Contra-Mestra
Vilma Florentino: Apresentadora do Circo
Xuxa Lopes: Porteiro do Escuro
Todos: Brincantes, Homens da mata, Gente de circo
Músicos
Ronaldo Mota: Violão
Queca Vieira: Cavaquinho
Damilton Viana: Percussão
José Carlos de Couza: Percussão |
Debaixo de água tem terra.
Debaixo da terra tem água.
Dentro de cada criança existe um homem de olhos abertos para
o mistério de crescer da noite para o dia e do dia para noite.
Dentro de cada homem existe uma criança recolhida numa sombra
de crepúsculo que teima em evocar..."eu era"...
Debaixo do asfalto tem muita terra e muita água; dentro dos
prédios de concreto tem homens e crianças que mal conjugam os
passados e futuros imperfeitos. Tudo isto, para formular um
universo relativo em volta da pergunta que mais nos acompanha
neste nosso trabalho: "Por que voltar a fazer teatro para crianças?"
A resposta estaria talvez nas frases criadas pelos atores, num
dos nossos espetáculos, quando são escolhidos os caminhos a
seguir pelo rio ou pela estrada: debaixo da terra tem água,
debaixo de água tem terra.
É este então um caminho de continuidade por dentro ou por fora
de nós adultos e da nossa criança. Ao mesmo tempo a linguagem
do espetáculo tenta elaborar a lembrança da festa e do mito
popular, onde se confundem crianças, jovens, velhos e bichos
que ainda andam por caminhos de terra e que dançam com os sons,
ritmos e ressonâncias dos tambores e atabaques que lembram o
pisar forte no chão ou batida viva do coração.
Agradecimentos
Centro de Arte e Criatividade Infanto-Juvenil do Meier, D. Celeste,
D. Adelaide, Neuzinha Navaro, Regina Maria (título: Mistério
das Nove Luas), Marcos Assmann (experiências de percussão),
Heloisa Pires /Ferreira (estandarte), Sérgio Brito (Teatro dos
Quatro), Nana e Célia.
Agradecemos todos atores que já passaram pelo Grupo Ventoforte
O homem é diferente do bicho
O bicho é feito de terra e água
O homem é feito de carne e pele
O bicho é feito de olhos e cheiro
O homem é feito de pensamento e solidão
O bicho é de mato e pedra
O homem é de osso e medo
Nas nove luas existe
Homem e Bicho no momento extremo
e belo de ser homem-bicho
no sonho e certeza da vida
assinado criatura-onça (Ronaldo)
Nos espelhos de nossos chapéus se refletem as imagens mágicas
de um mundo que às vezes sentimos perdido no passado, e à luz
destas imagens a flor do fundo do peito de Candelários faz desabrochar
o Mistério e a Esperança de muitas Benvindas. (Sonia)
É um mistério e uma festa. O Mistério esta dentro de nós e a
festa somos nós. A festa de uma vida, e o mistério de ser vivida,
percorrendo todos os seus caminhos. (Queca)
Que o lado de cá e o lado de lá se juntem num só ponto; que
daí nasçam todas as contradições; que esse ponto esteja no centro
de mim mesmo. (David)
O casamento de Candelário e de Benvinda; os dois caminhos e
a ruptura, a separação destes dois caminhos. Os dois caminhos
que se juntam e formam o nascimento e o prosseguimento dos nascimentos
e os outros nascimentos até que não existam mais separações.
As bandeirinhas têm o significado de casamento, nascimento,
circo e morte. (Lotufo)
Benvinda, vem cá!
Ssss!!... ela está esperando!
Caminho, Caminho
Pegadas pelo chão!
De onça
De cabrito?
Pé pequeno, dedo curvo!
Água, água, água Bate bate no portão
Abre a porta, vento bate
Mas acende lampião
Você vai
Eu não vou
Você fica
Então eu vou
Por aqui
Você por lá
Muito amor no coração
Olha a terra!
Mas tem água
Quanta pedra no caminho!
Tem capim!
Tem arruda!
E tem fumaça no cordão (Regina)
Tema comuns: um grito, um choro, e alegria, onde o processo
é você. A velha, uma magia, uma certeza vinda não sei de onde,
que sempre existirá nas pessoas, embora desperte tarde. Para
o Cavalo do Ar uma conquista de pavor e ilusão. Resultado: posse.
A onça pintada tem medo, mas conta toda peça. Para mim uma festa
popular. Nem para adultos Nem para crianças, para todos. É popular!!
(Damilton)
A terra, o fundo da Terra. O peito, o fundo do peito. A voz
do instinto que fala mais alto, que se preserva e se garante.
Aviso. Intuição. Acreditar nisso. Procurar uma linguagem não
verbal, mas muito funda – o som do atabaque, a dança conjunta,
formando uma só energia central que sobe, coroa e protege –
o ritual. A floresta, o mistério. Caminhos desconhecidos e a
coragem de ir adiante. "A onça não se perde, gente é que se
perde" (Biza)
De repente, um caco de vidro vira relâmpago de luz. A emoção
corre nas veias, como uma flor vermelha. Brincar com a criança
dentro de gente pode ser difícil, mas é bonito. O coração também
serve pra pensar.
P.S. - é preciso aprender a falar "oncês" . (Seba)
Por cada esquina desta cidade passam crianças... e adultos.
Eu gostaria da parar para falar com eles, abrir a terra e colocar
uma semente e esperar juntos. Eu só queria esperar pelas coisas
que nascem dentro do peito, dentro da gente e dentro da terra.
(Ilo)
A onça fugiu
onça nunca se perde dentro da gente
ela fica em algum lugar
procurando no claro e no escuro
presa, na jaula do circo
dançando domada no picadeiro da vida
mas aí o palhaço que é criança também
e sabe da onça porque gosta dela
leva ela pró Candelário e pra Benvinda
depois que a onça encontrou o que ela precisava
a onça precisava de andar caminhar
viver chorar partir morrer nascer
onça está aqui
onça está lá
onça é criança onça é velha
onça brinca onda saçe ver e ouvir
onça gosta da onça
eu preciso falar com a onça
eu tou conversando com ela. (Paulo César Brito)
Nove Luas: sou guarda da porta da horta da sorte e da morte.
Agora vou para um circo cheio de ator e gente para domar a dor.
Estarei em todas as luas de todos dias.
Ass. Onça de Benvinda (Zeca)
Ela (a onça) me arranha e me chama. (Porteiro do Escuro). (Xuxa)
É tão simples como o sol que surge, porque não brinco de parecer
criança.
Sem passe de mágica a menina na gente grande complicada, porque
gosto de cores, de balanço, de sorvete e de flor. Sei riscar,
bordar, traçar sem errar.
Sei arrepender.
Sei aventurar. (Vilma Florentina)
Atividades do Grupo Ventoforte
1974
fevereiro: Começam as atividades do Grupo Ventoforte, no Festival
de Teatro Infantil de Curitiba, com "Histórias de Lenços e Ventos";
Temporada de 10 meses no MAM (Museu de Artes Moderna) e no Teatro
Opinião; Participação no Festival de Inverno de Ouro Preto e
São João Del Rey;
Participação no Seminário de Teatro do Instituto Cultural Brasil-Alemanha,
em Salvador;
1975
Estréia, no MAM e Teatro Gláucio Gill, da peça "Da Metade do
Caminho ao País do Último Círculo", em duas versões: infantil
e adulto;
Novembro/dezembro: apresentação de "Da Metade do Caminho ao
País do Último Círculo" em diversas cidades do interior do Estado
do Rio;
1976
Remontagem de "História de Lenços e Ventos" e viagem a Brasília,
com convite da Fundação Cultural do Distrito Federal;
Temporada de 3 meses de "Lenços e Ventos" no Teatro Gláucio
Gill;
Representação de "Lenços e Ventos" no Festival de Teatro Infantil
de Curitiba - Fundação Teatro Guairá;
Apresentações de "Lenços e Ventos" no interior do Estado do
Rio de Janeiro, em diversas cidades;
Apresentações de "Lenços e Ventos" em parques e praças públicas
da cidade do Rio; Apresentações de "Lenços e Ventos" na Rede
Penitenciária do Rio de Janeiro;
Outubro: estréia, em Porto Alegre, "As Pequenas Histórias de
Lorca", a convite do Departamento Cultural do RS;
Novembro/dezembro: Temporada de "Lorca" no Teatro Cacilda Becker,
no Rio de Janeiro;
1977
Janeiro/fevereiro: Temporada de "Lorca" no Teatro Gláucio Gill,
no Rio de Janeiro; Abril/maio: Temporada de "As Pequenas Histórias
de Lorca" em Vitória, Brasília e Belo Horizonte;
Junho: inauguração do Teatro Experimental Eugenio Kusnet, em
São Paulo, ex-Teatro de Arena, com temporada de um mês de "As
Pequenas Histórias de Lorca".
Prêmios
História de Lenços e Ventos
Melhor Espetáculo Infantil do Ano, 1974 - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1974 - SNT - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
Molière, 76 para Ilo Krugli
Da Metade do Caminho ao País do Último Círculo
Prêmio da Fundação Guaira (Curitiba), através do Concurso de
Dramaturgia Infantil
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1975 - SNT - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
As Pequenas Histórias de Lorca
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1976 - SNT - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
Considerado pela Imprensa de Porto Alegre como um dos cinco
melhores espetáculos do ano, em 1976, na cidade de Porto Alegre.
Indicação "Prêmio Mambembe" - Rio de Janeiro direção, figurino,
música
Indicação "Prêmio Mambembe" - São Paulo direção: Ilo Krugli,
produção: Grupo Ventoforte

Cartaz
|
O Mistério das Nove Luas - 1979
MISTÉRIO DAS NOVE LUAS
(INFORMAÇÕES DO CARTAZ/PROGRAMA)
Casamento - Começo
Caminhada em Nove Luas
1ª. Lua Em busca da onça
2ª. Lua Lua do recado nas folhas
3ª. Lua Lua dos dois caminhos
4ª. Lua Lua do passado
5ª. Lua Uma lua especial
6ª. Lua Lua do eclipse
7ª. Lua Uma lua cheia: "O Circo Mais Pobre do Mundo"
8ª. Lua Uma lua dividida
9ª. Lua Uma lua de muitas penas soltas
Nascimento - Despedida
Autores: Ilo
Krugli, Paulo César Brito, Sonia Piccinin
Direção, Cenários, Figurinos: Ilo Krugli
Música: Ronaldo Mota
Coordenação Musical: David Tygel
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Objetos de cena: Equipe Ventoforte
Equipe de Produção: Coordenação geral - Nona Moreira
Administração/Divulgação: Carolina Freitas e Umberto Magnani
Contra-regra: Luis Paulo Campos
Operador de luz: Ivan |
Atores: Personagens
Ilo Krugli: Palhaço Não Sei
Loy de Andrade: Velha das Ervas, Apresentadora do Circo
Márcia Correa: Menina do Cabrito, Onça
Paulo César Brito: Porteiro do Claro, Dono do Circo
Regina Costa: Contra-mestra, Apresentadora do Circo, Domadora
Ronaldo Mota: Contra-mestre, Homem Especial
Sonia Piccinin: Porteiro do Escuro
Tião: Cabrito
Todos: Brincantes, Homens da mata, Gente de circo
Músicos
Ronaldo Mota (Violão)
Ignez Perdião (Viola, flauta, cavaquinho, clarinete)
Damilton Viana (percussão)
Tião (percussão) |
Porteiro do Escuro: Coitado da onça. Ela vai
se perder.
Porteiro do Claro: Onça não se perde: ela fica em qualquer lugar.
Porteiro do Escuro: Onça não volta?
Porteiro do Claro: Onça não tem casa. Gente é que tem casa e
quando fica longe e não sabe voltar se perde. Porteiro do Escuro:
Ah! Mas se a onça não se perde, a gente se perde.
Porteiro do Claro: Quando ficar escuro, a gente não vai conseguir
achar a onça.
Porteiro do Escuro: E nem a onça vai saber que está procurando
por ela.
Porteiro do Claro: E a estrada não vai nem saber quem passa:
se é gente que se perde, ou onça que não se perde.
Porteiro do Escuro: Então, vamos levar o lampião pra poder iluminar
o escuro.
Eram os ensaios das
Pequenas Histórias de Lorca, era
o mambembar dos
Lenços e Ventos nas escolas da zona rural
do Rio nos conduzindo para um encontro com uma cultura onde
o sentimento popular era a forma de aproximar-se de uma arte
ligada à terra como essência, incluindo não só formas tradicionais,
de raízes, mas também buscando abordar conflitos cada vez mais
amplos. Por outro lado, o
Garcia Lorca seria um espetáculo
só permitido a maiores de 18 anos, o que contribuía que sentíssemos
cada vez mais a necessidade de nossos espetáculos para crianças
serem também espetáculos para todas as idades, para a comunidade.
Como devem ser a festa, o rito, a educação e o pão.
Foram assim surgindo as primeiras idéias e imagens da terra,
dos ritos de fecundação desde o nascimento até a morte e com
eles à vontade de colocar no palco um grande parto.
Em julho de 1977, começou realmente a criação do espetáculo.
Era tempo de festa na periferia do Rio, no Méier, no Centro
de Criatividade, onde quase todos nós estávamos desenvolvendo
um projeto. Durante o dia, tentávamos despertar as crianças
e suas famílias do sono massificado para que acontecesse uma
retomada dos festejos cíclicos dentro do que restava da tradição
urbana (era época de Cosme e Damião).
À noite, o Ventoforte construía seu próprio folguedo, se abandonava
em ritos onde se libertavam o inconsciente e os conflitos do
grupo através de uma forma popular e cíclica, alimentada na
troca espontânea de criar uma festa. Aos sábados e domingos,
quando a tarde morria, o espetáculo começava a palpitar em ensaios
abertos a essas mesmas crianças da rua, seus irmãos, suas mães.
Era um jogo sem medo, sem nada a perder, sem censuras ou críticas
engajadas, apenas sentido a resposta na respiração, no riso
ou no bocejo, ou na discussão final, onde então íamos ajustando
as formas e os conteúdos da "brincadeira". Aí as idéias se desdobravam
em um universo mais amplo.
Fecundidade, formas pouco racionais de enfrentar o destino e
seus mistérios, encontrando os símbolos e ampliando depois seus
significados à realidade do Ventoforte e à realidade cultural
e política em volta, a competição e sua dinâmica destrutiva,
o poder centrado numa ambição individual de domínio, colocando
valores absolutos e massivos.
A relação dinheiro que sentíamos ausente nos espetáculos para
crianças, uma relação diferente do sistema, que chamamos "mais
que dinheiro", a tentativa de resgatar das pegadas do nosso
instinto uma percepção mais profunda do real, a própria liberdade
do instinto, tudo isto num processo sem culpados, sem heróis
ou vilões absolutos. A abordagem de uma temática com grandes
riscos, mas deixando sempre a possibilidade do renascimento,
dos novos ciclos. Um recado que foi tirado do fundo do peito,
e no qual poderia ser mostrado a crianças, jovens e adultos
o exercício de morrer e voltar a nascer sempre.
O espetáculo estreou lá mesmo, no Méier, num espaço pequeno
e vibrante, onde tínhamos procurado seguir por cima do asfalto
as pegadas populares. Depois foi para o palco amplo do Teatro
Ginástico, no Centro do Rio, depois novamente Zona Norte (SESC
da Tijuca) e mais longe ainda: Curitiba, Ouro Preto, Belo Horizonte,
Goiânia, Brasília e sua periferia (Sobradinho, Taquatinga, Ceilândia),
São Luís do Maranhão. Mais recentemente em Berlin Ocidental,
no Festival de Cultura "Horizontes".
Também não queremos esquecer o palco de cinco penitenciárias:
Dias Moreira, Lemos de Brito, Talavera Bruce, o Complexo de
Bangu, todos no Rio, e a penitenciária de Niterói. O confronto
com essas platéias levou à descoberta de conteúdos mais profundos:
as penas do cordão da sorte passaram a representar, além das
nossas próprias tristezas, as penas de castigo com que são reduzidos
os conflitos e as incompetências sociais do sistema. E a figura
mais aplaudida em cena era o boneco "Mané", símbolo daqueles
que não podem se expressar com voz clara e sonante.
Ilo Krugli
Atividades do Grupo Ventoforte
1974
fevereiro: Começam as atividades do Grupo Ventoforte, no Festival
de Teatro Infantil de Curitiba, com "Histórias de Lenços e Ventos";
Temporada de 10 meses n MAM (Museu de Artes Moderna) e no Teatro
Opinião; Participação no Festival de Inverno de Ouro Preto e
São João Del Rey;
Participação no Seminário de Teatro do Instituto Cultural Brasil-Alemanha,
em Salvador;
1975
Estréia, no MAM e Teatro Gláucio Gill, da peça "Da Metade do
Caminho ao País do Último Círculo", em duas versões: infantil
e adulto;
Novembro/dezembro: Apresentação de "Da Metade do Caminho ao
País do Último Círculo" em diversas cidades do interior do Estado
do Rio;
1976
Remontagem de "História de Lenços e Ventos" e viagem a Brasília,
com convite da Fundação Cultural do Distrito Federal;
Temporada de 3 meses de "Lenços e Ventos" no Teatro Gláucio
Gill;
Representação de "Lenços e Ventos" no Festival de Teatro Infantil
de Curitiba - Fundação Teatro Guairá;
Apresentações de "Lenços e Ventos" no interior do Estado do
Rio de Janeiro, em diversas cidades;
Apresentações de "Lenços e Ventos" em parques e praças públicas
da cidade do Rio; Apresentações de "Lenços e Ventos" na Rede
Penitenciária do Rio de Janeiro;
Outubro: Estréia, em Porto Alegre, "As Pequenas Histórias de
Lorca", a convite do Departamento Cultural do RS;
Novembro/dezembro: Temporada de "Lorca" no Teatro Cacilda Becker,
no Rio de Janeiro;
1977
Janeiro/fevereiro: Temporada de "Lorca" no Teatro Gláucio Gill,
no Rio de Janeiro; Abril/maio: Temporada de "As Pequenas Histórias
de Lorca" em Vitória, Brasília e Belo Horizonte;
Junho: Inauguração do Teatro Experimental Eugenio Kusnet, em
São Paulo, ex-Teatro de Arena, com temporada de um mês de "As
Pequenas Histórias de Lorca";
Agosto: Principia a elaboração do texto e montagem de "Mistério
das Nove Luas"; Novembro: Estréia de "Mistério das Nove Luas"
no Teatro Ginástico.
1978
Janeiro/fevereiro: Continuação da temporada do "Mistério das
Nove Luas" no Teatro Ginástico;
Março: "Mistério das Nove Luas" se apresenta dentro do Projeto
Mambembinho, no Teatro Dulcina (Rio), Teatro Municipal de Niterói
e Teatro Pixinguinha (São Paulo); Maio/junho: Temporada de "Mistério
das Nove Luas" no Teatro SESC da Tijuca; Junho: "Mistério das
Nove Luas" é escolhido pelo Departamento de Cultura do Estado
para realizar apresentações em toda a Rede Penitenciária do
Grande Rio;
Julho: "Mistério das Nove Luas" participa do Festival de Teatro
Infantil da Fundação Guaíra, de Curitiba;
Julho/agosto: "Mistério das Nove Luas" excursiona pelo país,
sob o patrocínio do Serviço Nacional de Teatro, percorrendo:
Ouro Preto, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília e São Luís do
Maranhão;
Setembro: Ilo Krugli projeta, para a Mostra de Arte Popular,
promovida pelo Serviço Social do Comércio, o espaço cênico,
cuja execução fica a cargo de integrantes do Ventoforte;
Setembro/outubro/novembro: A Companhia Dramática Brasileira,
do Serviço Nacional de Teatro, decide montar o texto "Sonhos
de um Coração Brejeiro Naufragado de Ilusão", do pernambucano
Ernesto de Albuquerque, premiado pelo SNT no 1º Concurso de
Textos para Teatro de Bonecos (1977). Ilo Krugli é convidado
para dirigir o espetáculo e o elenco é formado por integrantes
do Teatro Ventoforte;
Novembro: Estréia de "Sonhos..." em Artigas, no Uruguai,
no 1o Festival Internacional de Bonecos;
Novembro/dezembro: "Sonhos..." excursiona pelo sul: Artigas,
Montevidéo, Buenos Aires, Porto Alegre, Curitiba.
1979
Janeiro: "Sonhos..." participa do Festival de Teatro de Bonecos,
em Ouro Preto e se apresenta em São João Del Rei;
Março/abril: Temporada de "Sonhos..." no Teatro Glauce Rocha
no Rio; Abril/maio: "Sonhos..." excursiona pelos EUA - Washington
(Kennedy Center), Nova York (Teatro La Mama) e mais um circuito
Universitário (Kansas City, Tucson, San Francisco); Junho: "Sonhos..."
apresenta-se em Brasília (Teatro Martins Pena) e em São Paulo
(Teatro Municipal e Teatro Arthur Azevedo);
Julho: "Mistério das Nove Luas" apresenta-se no Festival "Horizonte"
de Berlin (Alemanha) representando Brasil;
Julho: "Sonhos..." apresenta-se em Lisboa (Portugal), no Teatro
São Luís;
Agosto: "Sonhos..." excursiona pelo norte/nordeste (Salvador,
Recife, Aracaju, Maceió e Vitória):
Outubro: "Mistério das Nove Luas" estréia em São Paulo, no Teatro
Procópio Ferreira.
Prêmios
História de Lenços e Ventos
Melhor Espetáculo Infantil do Ano, 1974 - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1974 - SNT - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
Molière, 76 para Ilo Krugli
Da Metade do Caminho ao País do Último Círculo
Prêmio da Fundação Guaira (Curitiba), através do Concurso de
Dramaturgia Infantil
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1975 - SNT - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
As Pequenas Histórias de Lorca
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1976 - SNT - Associação Carioca
de Críticos Teatrais
Considerado pela Imprensa de Porto Alegre como um dos cinco
melhores espetáculos do ano, em 1976, na cidade de Porto Alegre.
Indicação "Prêmio Mambembe" - Rio de Janeiro direção, figurino,
música
Indicação "Prêmio Mambembe" - São Paulo direção: Ilo Krugli,
produção: Grupo Ventoforte
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1977 - São Paulo
Mistério das Nove Luas
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1977 - Rio
Prêmio Mambembinho - direção/cenário/figurino: Ilo Krugli
Críticas
"O Mistério das Nove Luas é um poema e uma festa, uma celebração
e um brinquedo. Um espetáculo muito bom e inventivo, para qualquer
idade. Forte e belo como uma árvore de raízes solidamente fincadas
na terra, florescendo e frutificando, alimentada pela seiva
da vida, produto da eterna transformação".
Ana
Maria Machado, Jornal do Brasil, Rio
"Toda a verdade é dita de uma forma poética. E o "gran-finale",
onde reside a descoberta do mistério, leva qualquer pessoa à
mais profunda emoção. Criado com o maior cuidado, manipulado
com toda a arte e beleza que se pode conceber num trabalho de
alto nível".
Dinah Ribas Pinheiro, O Estado do Paraná
"Beleza e coerência para todas as idades".
Tania Pacheco, O Globo, Rio
"Brasil aumenta horizonte - A magnífica apresentação é transmitida
com derradeira alegria de vida pela grupo "Ventoforte". Os sons
da música rítmica e das canções mexeu com o sangue dos pequenos
e grandes espectadores. Não é por menos, que houve uma verdadeira
comunicação entre atores e público, quando a platéia resolveu
participar cantando e batendo palmas junto com eles. Um acontecimento
teatral excepcional que deixará uma viva lembrança em muitos,
por muito tempo".
Die Welt, Ausgabe B - Berlin West
" O grupo teve como trabalho tornar as idéias entendíveis às
crianças e os mesmo tempo dirigindo-se aos adultos, tornando-lhes
claro que os problemas das crianças são os seus próprios como
também o oposto. Não existe um "mundo de crianças". Em conseqüência
disso não existe um mundo de brasileiros, de africanos, de europeus...
O grupo "VENTOFORTE" ficará seguramente na memória dos berlinenses,
que teve a casa lotada durante os três dias de apresentação".
U. Huttner, Die Wahreit - Berlin west
"Todo o tratamento musical, todo o aspecto visual permite, à
platéia de uma metrópole, o (re) encontro com uma forma de expressão
que faz parte das nossas raízes culturais e que ameaça morrer
a cada dia".
Clovis
Levi, O Globo, Rio
"A última première de teatro no Festival "Horizontes" de Berlin
foi também a mais bonita. Ela mostrou um sabor de como poderá
ser o Festival "Horizontes" (Festival de Cultura Mundial) no
ano de 1981, se o festival se ocupar com as culturas sul-americanas.
O exemplo, no entanto, trouxe apetites o grupo de teatro brasileiro
"Ventoforte" mostrou a fábula como um "vento fresco", com uma
arrebatadora agilidade e cor que deixou o público fora de si,
na lotada Academia de Artes. O efeito musical, o fogo, a graça
e a afetuosidade deste grupo é irresistível. As pernas tamborilavam
e a garganta tremia em um ritmo contagioso. A aclamação para
esses brasileiros parecia não querer ter fim".
Heinz
Ritter, Der Abend - Berlin West
Agradecimentos
Humberto Braga, Célia, José Carlos Moreira, Katty, Peo, Marco
de Oliveira, Fanny, Paulo Portela, Eugênio Staub, Amilton Monteiro,
Lila Byton Martins, Renê Liviano, Ana Galindo, Bernadete e Tonia
Colaboração: Gradiente

Programa do espetáculo que estreou em 25 de setembro e fez temporada até 19 de dezembro de 1999, no Teatro Popular do Sesi, São Paulo. |
O Mistério das Nove Luas - 1999
MISTÉRIO DAS NOVE LUAS
(INFORMAÇÕES DO PROGRAMA)
(Capa)
Teatro Popular do SESI
apresenta
Teatro Ventoforte
em
MISTÉRIO DAS NOVE LUAS
De Ilo Krugli, Sonia Piccinin e Paulo César Brito
Música de Ronaldo Motta
Teatro Ventoforte
Teatro Popular do SESI
Sala Osmar Rodrigues Cruz
Av. Paulista, 1313
De 25 de setembro a 19 de dezembro de 1999
(Páginas Centrais)
Este espetáculo foi criado em outubro de 77 e nunca mais representado:
porém, seus conteúdos continuam vivos, através duma linguagem
universal que celebra ritos da vida, morte e renascimento. O
texto foi criado num trabalho com crianças e jovens, num bairro
do Rio de Janeiro (O Méier), e o nome foi dado por uma adolescente.
Já se passaram 22 anos, voltamos ao jogo e ao fascínio dele,
lamentando não ter feito mais vezes, para elaborar mais a nossa
história.
Os primeiros mitos e contos de fada são, sem dúvida, vivenciados
no colo das nossas mães, que fazendo parte da grande barriga
universal, misturam contos, histórias migrantes de épocas passadas
e os acontecimentos do nosso século, guerras, revoluções e as
grandes utopias. Os primeiros "folguedos" de que participamos
aconteceram nos anos 60, em vales e praças antigas dos Andes:
camponeses, mineiros, brancos, negros, caboclos, que nos levaram
até as raízes do teatro.
Mais tarde, no Brasil, integramos e "devoramos" a linguagem
deste "teatro místico e mítico" que acontecia em ruas, cidades
grandes e pequenas, vilas, festas, praças, e até em algum teatro
de elite onde os grupos populares eram convidados, tanto como
algum outro teatro regional, de país distante e exótico, até
a Ópera de Pequim ou o Kabuki dos japoneses.
Desta forma, desenhamos uma caminhada e uma procura das pegadas,
ao longo das estradas da vida e da alma – as marcas, ressonâncias
de tambores e flautas, que lembravam o pisar forte no chão ou
a batida viva do coração – surgia assim a ressonância coletiva
em que se vai construindo o teatro: éramos, somos, felizes de
continuar criando nesta tradição "verso e reverso dos conflitos
e desejos".
Debaixo da água tem terra...
Debaixo da terra tem água...
Dentro de cada criança existe um homem de olhos abertos olhando
os mistérios entre o dia e a noite.
Dentro de cada homem existe uma criança recolhida numa sombra
de crepúsculo que teima em evocar ... "eu era"...
Debaixo do asfalto tem muita terra e água, dentro dos prédios
de concreto têm homens e crianças, que mal conjugam aos passados
e futuros imperfeitos.
A nossa caminhada com este Folguedo, inspirado nessas estruturas
milenares, é um caminho de continuidade por dentro ou por fora
de nós, adultos e crianças, atores e público.
Desta vez sabemos que seremos generosamente visitados por um
público popular e diversificado no Teatro Popular do SESI. A
universalidade da história sem dúvida que nos permitirá a comunicação
e o sucesso. As linguagens de máscaras, grandes e pequenas figuras,
sombras, atores, cantores, danças, músicas, aproximarão e criarão
oportunidades para os jovens experimentarem "cultos e culturas"
que resgatam e reabrem portas e cortinas sobre uma estética,
possível de habitar o nosso cotidiano.
Este espetáculo de 1999 dedicamos às "gentes" e brincantes da
nossa existência: minha mãe Rosa Zacharias, Nise da Silveira,
Augusto Rodrigues, "Grupo Hombu" do Rio, Cecília Conde - que
nos iniciou em cantigas e cirandas, e Margarida Trindade: dos
primeiros passos em pé e ritmo dos folguedos e danças.
Ilo Krugli
Os Brincantes: atores e músicos que cantando,
tocando e dançando contam a história
Candelário e Benvinda: grandes figuras que casam e fazem
crescer as nove luas
Palhaço Não Sei e seu boneco Mane: no estilo dos Mistérios,
falam com humor e poesia daquilo que "não se fala", mas que
o público sabe, pensa e sente...
Contra-Mestre e Contra-Mestra: Conduzem o desenvolvimento
do espetáculo
Porteiros do Dia e da Noite: abrem e fecham as portas
do Mistério e do coração
A Velha das Ervas e os Habitantes da Floresta: crianças,
bichos, soma elementos históricos reais e mágicos, resgata seres
onde a natureza ainda se movimenta, em sonhos e fantasias do
inconsciente, presente e passado
A Onça: O grande presente de casamento,e a força intuitiva
no espetáculo
O Dono do Circo Mais Pobre do Mundo: A sobrevivência
das culturas, a Condição "mambembe" dos artistas e sobretudo
a "expressão e a arte" entre a obediência, o Medo e a fome...
O Homem Especial: o conquistador, o dominador, e o dono das
terras que parece saído de temas e notícias presentes nestes
tempos, em jornais, TVs, no dia-a-dia dos países, ricos e pobres
Atores e Músicos
Marilda Alface
Eliane Weinfürter
Ilo Krugli
Evandro Palma
Paulo da Rosa
João Baptista Pires
Fabio Atorino
Marcia Fernandes
Renato Vidal |
Texto: Paulo Cesar
Brito, Ilo Krugli e Sonia Piccinin
Música: Ronaldo Motta
Preparação Corporal: Marilda Alface
Cenários, Figurinos e Bonecos: Ilo Krugli
Iluminação: Roberto Mello
Assistência de Direção: Mariana Marini
Confecção de Figurinos: Ana Maria Carvalho
Carpintaria: Antonio Lima Pereira
Realização Artesanal de Bonecos e Objetos Cênicos: Cláudio
Cabrera e Oficina do Teatro Ventoforte
Equipe de Realização: Beth Galaz, Néia Barbosa, Peterson
Negreiros, Ademir de Castro, Débora da Silva
Produção Executiva: Ventoforte, Roberto Mello e Ilo Krugli
Programação Visual: Allucci & Associados
Administração: Cooperativa Paulista de Teatro
Apoio de Secretaria: Ivonete Alves, Daniel Lima, Daurilene
Almeida e Manuel Bezerra Direção Musical: João Baptista
Pires
Arranjos: João Baptista Pires e Fabio Atorino
Direção geral: Ilo Krugli |
Agradecimentos
Cooperativa Paulista de Teatro, Paulo Farah, Lauro Gastañaga,
Gil Grossi, Elaine Butato, Raphael Doria, Marconi Holanda, Marta
Martins, Denise, Alan, Leo, Bruna, Mônica, Funcionários do SESI.
A aventura estética do Ventoforte é um marco singular na história
do teatro brasileiro. A força poética de Ilo Krugli inaugurou
há mais de 30 anos uma forma artística de conversar com crianças,
e também com adultos, que se tornou exemplo e escola para várias
gerações de artistas e educadores.
Lembro-me da "História de um Barquinho" e das "Pequenas Histórias
de Lorca" como experiências inesquecíveis de aprendizagem que
trouxeram uma valiosa contribuição para meu trabalho (e de tantos
outros): a importância das imagens visuais, sonoras, das palavras
que falam com a vivacidade surpreendente da vida, longe, muito
longe da concepção estereotipada do universo "infantil", tão
comum nas inúmeras produções teatrais que imbecilizam as crianças.
O trabalho do Ventoforte trata da substância mesma do devir
humano, com simplicidade, extrema delicadeza. A o mesmo tempo,
traz questões críticas que solicitam das crianças um tipo muito
especial de participação, ao se confrontarem com a verdade e
a vilania, com as desigualdades, sonhos e angústias que todos
encontramos quando desejamos um mundo melhor. Como bom andarilho
do caminho que muitos, como Lorca por exemplo, percorrem, Ilo
Krugli é um paciente artesão criador de pequenas jóias que condensam
a alma das coisas e dos seres do mundo. Nelas, contemplamos
nosso rosto transformado, em múltiplas cenas de tocante beleza.
Nelas, cada achado poético surpreende nossas acomodadas mesmices
(e quem disse que criança também não sofre de acomodadas mesmices?),
convidando-nos a todos experimentar, através do sonho feito
poesia, uma possibilidade mais digna de existência nesse mundo
descabido.
Regina
Machado
SESI
Serviço Nacional da Indústria
Departamento Regional de São Paulo
Entidade mantida e administrada pela indústria
Presidente do Conselho Regional
Horacio Lafer Piva
Diretor Regional
Claudio Vaz
Conselheiros
José Villela de Andrade Junior, Dante Ludovico Mariutti, Luis
Eulálio de Bueno, Vidigal Filho, Wilson Sampaio, Antonio Funari
Filho, Marcio Bagueira Leal, Ubiratan Zachetti, Nelson Abbud
João, Carlos de Paiva Lopes
Superintendente de Integração
José Felício Castellano
Equipe Técnica
Supervisor de Produções Artísticas: José Cláudio P. Mendes
Luz: Alexandre Pestana e Claudia Rodrigues
Som: Adriano Siqueira, Carlos Henrique, Jonathas Joba
Maquinistas: Marcio Renato de Jesus, Márcio Zunhiga Dias, Nilson
dos Santos, Sérgio Nicanor Teixeira
Contra-regras: Alessander Rodrigues, Airan Figueiredo, Evangerlan
de Souza e Silva, Ronaldo Chimanski
Camareiras: Consuelo de Cássia, Nair Ribeiro, Veny Andrade,
Sônia Fávero Administrador: Richards Paradizzi
Agente Cultural: Wagner Farias de Sá
Equipe de Apoio: Dirce C. de Araújo, Sebastião M. Sá Bilheteria:
Lígia Maria Viana Divulgação: Cleide Mendes, Theodora Ribeiro,
Leni A. V. Caetano, Marisa Abujamra, Maria do Carmo Munir
Centro Cultural Fiesp
O Mistério das Nove
Luas - 2001
MISTÉRIO DAS NOVE LUAS
(INFORMAÇÕES DO PROGRAMA)
PALCO GIRATÓRIO
Apresenta
O MISTÉRIO DAS NOVE LUAS
Criado em 1977, recebendo uma nova versão em 1999, o espetáculo
estrutura-se com um prólogo – casamento e nove cenas de gravidez,
e um ponto final onde atores e público renascem. A estrutura
de cordel retoma contato com uma cultura popular, teatro de
criação estética artesanal, uma grande caminhada desde espaços
arcaicos e instintivos até os nossos dias. O espetáculo celebra
ritos de vida, morte e renascimento. O texto foi criado num
trabalho com crianças e jovens, num bairro do Rio de Janeiro
(Méier), e o nome foi dado por uma adolescente. Já se passaram
24 anos e o jogo fascinante continua vivo.
A experiência estética do Grupo Vento Forte é, com certeza,
um diferencial na história do Teatro Brasileiro para a Infância
e Juventude (também, para adultos sonhadores). Ilo Krugli há
mais de 30 anos iluminou a cena nacional com a sua força poética,
educadores e pensadores de várias gerações. Uma explosão de
imagens, cores, sons, danças e rituais que revigoram o imaginário
dos "fazedores de teatro" das décadas de 60/70.
Texto: Paulo César
Brito, Ilo Krugli e Sonia Piccinin
Direção: Ilo Krugli
Assistência de Direção: Mariana Marini
Música: Ronaldo Mota
Direção Musical: João Batista Pires
Arranjos: João Batista Piere e Fábio Atorino
Preparação Corporal: Marilda Alface
Cenários, Figurinos e Bonecos: Ilo Krugli
Confecção de Figurinos: Ana Maria Carvalho
Carpintaria: Antonio Lima Pereira
Realização Artesanal de Bonecos e Objetos Cênicos: Cláudio
Cabrero e Oficina do Teatro Vento Forte (Beth Galz, Néia
Barbosa, Peterson Negreiros, Ademir de Castro e Débora da
Silva)
Iluminação: Roberto Mello |
|
Atores e Músicos
Marilda Alface
Eliane Weinfürter
Ilo Krugli
Dinho Lima
Evandro Palma
Paulo da Rosa
João Baptista Pires
Fabio Atorino
Marcia Fernandes
Renato Vidal
|

Cartaz
|

Filipeta |
O Mistério das Nove
Luas - 2002
MISTÉRIO DAS NOVE LUAS
(INFORMAÇÕES DO CARTAZ/PROGRAMA)
(Frente)
Teatro Ventoforte
O Mistério das 9 Luas
Espetáculo Musical - sábado e domingo às 16h30min
Feira de Teatro
Aos Domingos de Maio
Cursos e Oficinas
Vitor Hugo! Onde você está?
Informações
Rua Brig. Haroldo Veloso, 150 Itaim Bibi Tel: 3078-1072
teatroventoforte@uol.com.br
Secretaria Municipal da Cultura
Prefeitura da Cidade de São Paulo
Governo da Reconstrução
(Verso)
Mistério das nove luas
Criado em 1977, recebeu uma nova versão em 1999. O espetáculo
musical se inicia na entrada do teatro do teatro e segue um
prólogo no palco. Casamento de Benvinda e Candelário seguido
de nove cenas de gravidez e um parto final onde atores e público
renascem. A estrutura é de cordel e inspiração de auto-popular.
Uma grande caminhada desde espaços arcaicos e instintivos até
os nossos dias o espetáculo celebra ritos de vida, de morte
e renascimento. O texto foi criado a partir de um trabalho com
crianças e jovens no Méier bairro do Rio de Janeiro. E o nome
foi dado por um adolescente. Já se passaram muitos anos e o
jogo fascinante continua vivo.

Convite do espetáculo que fez temporada de 23 de fevereiro a 26 de maio de 2002 no Teatro Ventoforte, São Paulo. |
Elenco por ordem alfabética:
André Collazzi
Cláudio Cabrera
Dinho Lima
Eliane Weinfürter
Evandro Palma
Fábio Atorino
Ilo Krugli
Lílian de Lima
Márcia
Fernandes
Marilda Alface
Paulo da Rosa
Texto: Sônia Piccinin, Paulo Cezar Brito e Ilo Krugli
Música: Ronaldo Motta
Direção Geral: Ilo Krugli
Cenário, figurino e bonecos: Ilo Krugli
Confecção de figurino: Ana Maria Carvalho
Iluminação: Roberto Mello
Movimento e Corpo: Marilda Alface
Confecção de objetos cênicos: Cláudio Cabrera e Oficina Ventoforte
Produção: Teatro Ventoforte
Através do SESI, a nova versão do espetáculo foi assistida por mais
de 44 mil pessoas no Estado de São Paulo. E em 2001, através
do projeto Palco Giratório do SESC, foi assistido por mais de
7 mil pessoas em 14 cidades do Estado de Santa Catarina.
Temporada de 3 meses
Reestréia 23 de Fevereiro
Sábados e domingos às 16h30min
Duração: 90 minutos
Categoria: Livre
Local Teatro Ventoforte
Preço: R$ 10,00 adulto R$ 5,00 criança
Promoções: Clube Folha do assinante
VITOR HUGO! ONDE VOCÊ ESTÁ?
Cursos e oficinas:
Estará no centro das atividades a continuidade de cursos de formação,
oficinas de linguagens teatrais e animação cultural.
Neste ano celebra-se o bicentenário do grande romancista e escritor Vitor
Hugo. As oficinas que realizaremos terão como tema "Vitor Hugo!
Onde você está?". Através de uma linguagem que chamamos "Os
muros que cantam, dançam, falam, pintam e representam". Recriando
as obras do romancista francês, utilizando trechos de romances;
poemas; elementos históricos da "Comuna de Paris"; do ideário
do autor no século XIX e inserindo aproximações com realidades
e temáticas brasileiras, realizaremos um grande painel, plástico,
musical e, sobretudo teatral com experiências de gêneros dramáticos
que vão do Teatro de Palco ao Teatro de Rua, de espaços abertos
e de animação de objetos e bonecos aos contadores e cantadores
de estórias.
Desenvolvimento:
Integrar várias linguagens de representação, assimilar novas técnicas na busca de uma maturidade estética. Além de desdobrar interpretações, expressões musicais, corporais e animações de objetos e bonecos.
Público Alvo:
Interessados e iniciantes, estudantes, atores, artistas de outras linguagens e educadores que se utilizam da expressão teatral em seus processos.
Crianças:
Inscrições abertas de 2 de março até 6 de dezembro.
Ocorrerá aos sábados das 19:30h às 22:30h. R$ 100,00 mensais.
Matrícula de inscrição e materiais: R$ 80,00
Adultos:
Inscrições abertas de 25 de fev até 3 de julho. Carga horária 134 h. Ocorrerá 2a e 4a das 19:30h às 22:30h. R$ 150,00 mensais. Matrícula de
inscriçÃo e materiais: R$ 80,00
* Bolsas para representantes de Casas de Cultura, Centro Comunitários, Grupos Teatrais; assim como outras possibilidades de bolsas parciais através de apresentação
de currículo ou carta de interesse e intenções de pesquisa teatral.
FEIRA DE TEATRO

Cartaz para a Feira de Teatro, 2002 |
Feira para crianças e jovens. Um evento aos
domingos de maio, que iniciando-se pela manhã, se desenvolve
ininterruptamente pelo dia todo, fazendo parte dele atividades
diversas como apresentações musicais, oficinas, animações, contadores
de histórias, artesãos com seus produtos e objetos criados à
vista do público, espetáculos de repertório, espetáculos participativos
criados com o público. A Feira Vento Sopra Vento acontecerá
no espaço Ventoforte, que não sendo apenas um espaço teatral
é um local de experimentação e formação profissional, onde é
possível realizar atividades simultâneas, variáveis criativas
e de lazer. As oficinas de expressão, linguagens e materiais
diversos acontecerão simultaneamente às apresentações musicais
no coreto e aos espetáculos teatrais (dois no mínimo). Os contadores
de histórias em movimento por todo o espaço darão assistência
na escolha de atividades para o público. Música para brincar,
cantigas de roda, teatro e animações espontâneas, onde serão
criados bonecos, estandartes, cenários, cortejos e cordões populares,
etc.
A Feira acontecerá no mês de maio, em comemoração aos 28
anos de existência e resistência do TEATRO VENTOFORTE.
A experiência estética do grupo Ventoforte é, com certeza, um diferencial
na história do teatro brasileiro para a infância e juventude
(também para adultos sonhadores). Seus criadores e atores há
28 anos iluminam a cena nacional com suas forças poéticas, com
suas artimanhas artísticas poderosas que impulsionam artistas,
educadores e pensadores de várias gerações. Uma explosão de
imagens, cores, sons, danças e rituais que revigoram o imaginário
dos "fazedores de teatro" das décadas de 60/ 70 e até os dias
de hoje.
Planejamento, produção, divulgação e execução: Fábio Viana, Roberto Mello, Ilo Krugli e Renata Alucci
Projeto Gráfico: Fábio Viana e Ilo Krugli
Esta programação faz parte do Prêmio
Teatro Cidadão da Secretaria Municipal de Cultura. A Pesquisa
sobre Vitor Hugo conta com o apoio do Ministério da Cultura
através do Prêmio EnCena Brasil
Agradecimentos
Beth Galaz,
Fernando Paixão, Eliane Moraes, Peterson Negreiros, Marcello
Airold, Petterson da Costa, Debora Saraiva, Rafael Dórea, Gil
Grossi, Carminha, João e Dona Maria.