Acervo Peças Teatrais

Sete Corações, Poesia Rasgada
Direção: Ilo Krugli

Programa
Sete Corações, Poesia Rasgada - 1996

SETE CORAÇÕES - POESIA RASGADA

(INFORMAÇÕES DO PROGRAMA)

(Capa)

Projeto Teatro Jovem Coca-Cola

apresenta
TEATRO VENTOFORTE

em

SETE CORAÇÕES
Poesia Rasgada


(Páginas Centrais)


Convite do espetáculo que estreou no dia 03 de agosto de 1996 no Teatro Ventoforte, SP
SETE CORAÇÕES - POESIA RASGADA
de Frederico Garcia Lorca e Ilo Krugli

O Teatro VentoForte cria há 22 anos, espetáculos com uma obsessiva procura de renovação poética da encenação e da integração de temáticas, autores e linguagens de palco, numa linha em que, entre as definições de teatro para criança, jovem ou adulto, aponta sobretudo para uma expressão universal.

1976-1986-1996: datas de homenagem ao extraordinário Frederico Garcia Lorca. Nossos espetáculos, mais que uma encenação de algum texto do poeta, significaram processos de reinvenção de seus versos e textos apaixonados. Desta forma este espetáculo para jovens, falando da morte e renascimento de um poeta, é mais um exercício de dramaturgia na história do VentoForte.
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Foram assim trabalhos com textos de Shakespeare, Oscar Wilde, autores nacionais, depoimentos de crianças de seu diretor Ilo Krugli, e, ainda este ano, com Bertold Brecht e Plínio Marcos num mesmo espetáculo.

"Sete Corações - Poesia Rasgada" amplia um exercício, uma vivência entre a liberdade e a repressão de fazer e viver poeticamente, num espetáculo onde o público e atores constroem uma metáfora teatral, símbolo do sopro forte que valoriza o imaginário e as imagens inconscientes, de crianças e jovens. Mais uma vez o jogo do resgate e da sobrevivência do teatro.

Sete Corações - Poesia Rasgada
de Frederico Garcia Lorca
Criação Ilo Krugli

Elenco
Atores e Músicos
Ana Marcello
Analu Fernandes
Andréa Cavinato
Cláudio Cabrera
Flávia Cunha
Ilo Krugli
Luiz Figueiredo
Marcos Coin
Mariana Marini
Mônica Huambo
Paulo Alexandre
Paulo André
Paulo da Rosa
Tatiana Bichara

Ficha Técnica
Figurinos e Visual Cênico: Ilo Krugli
Canções e Música: Edgard Lippo e João Poletto
Letras: Ilo Krugli (24 bofetadas letra F.G. Lorca e música João Poletto)
Dança e Movimento: Marilda Alface
Iluminação Arquitetura Cênica: Roberto Mello
Realização de Bonecos: Cláudio Cabrera e Paulo André
Apoio Artesanal: Elenco
Realização de Figurinos: Ana Maria Carvalho
Bordados: Nícia Carneiro
Fotografia: Gil Grossi
Projeto Gráfico: Herbert Frederico
Divulgação: Informare
Assistências: Mônica Huambo e Paulo de Rosa
Coordenação de Produção:
Produção: Casa VentoForte
Direção Musical: João Poletto
Direção Geral: Ilo Krugli

(Verso)

Cursos e Repertório

O Teatro VentoForte desenvolve uma rica produção teatral, com características e linguagens muito identificadas com os diversos públicos com os quais realiza espetáculos e oficinas criativas, atuando tanto no campo do teatro quanto no da educação através da arte.

Sua grande preocupação é com um teatro voltado para comunidade,com eventos de rua que atinjam crianças, jovens e adultos que muitas vezes não participariam no espaço convencional.

Repertório de 1996

As Quatro Chaves
O Rio que Vem de Longe
Histórias que o Eco
Canta Sete Corações - Poesia Rasgada

Atividades
Curso de teatro e montagem para adultos
Curso de teatro para crianças, adolescentes e jovens.

(fotos e apoios)
Spal Panamco, Coca-Cola, Círculo Solar Produções, Fotofacto, Informare e Adgraf

Programa

Convite do Espetáculo que reestreou no dia 10 de outro de 1998, no Teatro Ventoforte, SP.

Sete Corações, Poesia Rasgada - 1998

SETE CORAÇÕES - POESIA RASGADA

(INFORMAÇÕES DO PROGRAMA)

(Capa)

Sete Corações - Poesia Rasgada

Poemas de Frederico Garcia Lorca
Traduções e poemas de Ilo Krugli

(Página 01)

Sete Corações
F.G.Lorca

Sete corações
Tenho
Mas não acho o meu.

No alto da serra, mãe.
Tropeçávamos eu e o vento.
Sete meninas de longas mãos
me levaram em seus espelhos.

Já cantei pelo mundo

na minha na boca de sete pétalas
meus navios de amaranto
iam sem cordas e sem remos.

Já vivi as paisagens
de outras gentes, meus segredos
em volta da minha garganta,
sem me dar conta! iam abertos.
No alto da serra, mãe
(meu coração sobre os ecos dentro do álbum de uma estrela)
tropeçávamos eu e o vento.

Sete corações
Tenho
Mas não acho o meu.

(Página 02)

Da Rosa
F.G.Lorca

A rosa
não procurava a aurora:
quase eterna em seu ramo,
procurava outra coisa.

A rosa
não buscava nem ciência nem sombra:
confins de carne e sonho,
buscava outra coisa.

A rosa
não procurava a rosa.
Imóvel lá no céu
procurava outra coisa.

Romance Sonâmbulo
F.G. Lorca

Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra na cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sobre a lua cigana
as coisas a estão mirando
e ela não pode mirá-las.

(Página 03)

Romance da Lua Lua
F.G.Lorca

Pelo olival vinham
bronze e sonho, os ciganos
as cabeças levantadas e os olhos semi-cerrados

Romance da Guarda Civil
F.G.Lorca

Quando chegava a noite
Noite, que noite noitera!
Os ciganos nas suas forjas
Forjavam sois e setas.

A Lua
F.G.Lorca e Ilo Krugli

A Lua é um pão para os pobres,
e um tamborete de cetim redondo para os ricos.
Quem quer sentar num pão! numa cadeirinha!
ou num sapato que virou barco
por amor a um peixe.

(Página 04)

Eu
F.G.Lorca

Encheu-se de luzes
meu coração de seda,
de sinos perdidos,
de lírios e de abelhas,
e eu irei muito longe,
além dessas serras,
além dos mares,
perto das estrelas,
para pedir a Deus
Senhor que me devolva
minha alma antiga de menino,
madura de lendas,
com o gorro de plumas
e o sabre de madeira.

Balada da Pracinha
F.G.Lorca

Bebe, bebe, bebe a água tranquila
da canção velha.
Riacho claro, fonte serena.
Por que vais tão longe na pracinha?

Vou em busca de magos e princesas!
Ah! passarinho de papel!
Águia dos meninos
com as plumas de letras
sem pombo e sem ninho.

Flor de jasmim,
touro degolado.
Se o céu fosse um menino pequenino,
o jasmim teria metade da noite escura
e o touro, circo azul sem lidadores
e um coração ao pé de uma coluna.

(Página 05)

Búzio
F.G. Lorca

Trouxeram-me um búzio.
Dentro dele canta
um mar de mapa.
Meu coração
se enche de água
com peixinhos
de sombra e prata.
Trouxeram-me um búzio.

O Lagarto está Chorando
F.G.Lorca

O lagarto está chorando.
A lagarta está chorando.
O lagarto e a lagarta
com aventaizinhos brancos.
Perderam sem querer
seu anel de casamento.
Ai, seu anelzinho de chumbo,
ai, seu anelzinho chumbado.
O sol, capitão redondo,
veste um uniforme de soldado raso.
Olhai-os como são velhos!
como são velhos os lagartos!
Ai, como choram e choram,
ai! ai! como estão chorando!

(Página 06 - Partitura)

Vinte e Quatro Bofetadas
Poesia de F.G. Lorca
Música de João Poletto

(Página 07)

Canto do Cigano
F.G. Lorca

Lua, lua, lua
do tempo da azeitona
No verão desenha a torre,
no Inverno ela esconde.

Lua, lua, lua
um galo canta na lua
Seu Prefeito, suas meninas
estão olhando para a lua.

Cantigas
(anônimo popular - Minas)

Está caindo flô
está caindo flô
oi lá no céu
oi lá na terra
o le lê está caindo flô
Pia pia
Pia, piou
pia por cima
pia por baixo
Minha mãe me disse assim
minha mãe me disse assim
Só sabe como começa
não sabe como é o fim

Era uma vez

Ilo Krugli

Era uma vez
seria uma vez
o dia amanhã vai nascer
a noite ontem se escondeu

Do peixe de prata
que inventou a água
no rio da lembrança
onde o espelho vai nadar

Na lua sem mãos
que o barco beijou
na flor da fome
que vai comer o pão...

(Última Capa)

Sete Corações Poesia Rasgada
De Federico Garcia Lorca e Ilo Krugli

Elenco
Atores e Músicos
Andréa Cavinato, Claudio Cabrera, Eliane Weinfurter, Dinho Lima, Flavia Cunha, Ilo Krugli, Lauro Castañaga, Marcos Coin, Marilda Alface, Paulo da Rosa, Renato Vidal

Ficha Técnica
Tradução e Adaptação: Ilo Krugli
Cenografia e Figurino: Ilo Krugli
Realização de Figurino: Ana Maria de Carvalho
Direção Musical: João Polleta
Dança e Movimento: Maílda Alface
Iluminação e Espaço Cênico Roberto Mello
Realização Artesanal: Claudio Cabreza, Paulo André e elenco
Direção Geral: Ilo Krugli
Coordenação de Produção: Neuza Andrade, Renata Allucci, Roberto Mello
Apoio de Produção: Antônio Luiz, Daniel Lima, Daurilene Almeida, Ivone Alves, Rogério Sallum
Produção: Casa Ventoforte Centro de Arte Cultura

Quase no final do espetáculo, o público se mistura e improvisa junto aos atores. Daí surge uma frase apaixonada e emocionante de uma criança de uns 8 anos, brigando com os guardas:

"Vocês não vão poder fuzilar todos os poetas, porque não se pode matar os poetas que ainda não nasceram".

Teatro Ventoforte
Temporada: 10 outubro à 13 de dezembro de 1998.