Acervo Peças Teatrais

A Farsa de Inês Pereira
Direção: Ricardo Venâncio

Programa

Convite do espetáculo que estreou no Teatro II, do CCBB, no Rio de Janeiro, em novembro de 1996.

A Farsa de Inês Pereira - 1996

(INFORMAÇÕES DO PROGRAMA)

(Capa)

A FARSA DE INÊS PEREIRA
de Gil Vicente

Interior)

Teatro em Dia com Amor & Humor

Quem sabe refaz a hora. Ao programar peças para o horário de almoço (12:30) nos dias úteis e às 17h nos sábados e domingos, o Teatro em dia fez história. A série entra no sei quarto ano consecutivo, oferecendo agora textos leves e divertidos.

Em 1996 O Teatro em Dia sobe ao palco com um novo conceito: a unidade temática: As seis peças a sertem apresentadas giram em torno de um mesmo eixo - o Amor tratado com Humor. Afinal, rir da paixão é começar a curá-la.

É com esses mote que O Submarino ironiza uma crise conjugal; The Knack satiriza as técnicas de conquista; Cabaret La Boop é sarcástica com a sedução; Um Mundo de Ilusões flagra o namoro em diversas fases da vida: O pedido de Casamento, de Tchecov, mostra o quanto é desconcertante o amor; e A Farsa de Inês Pereira, um clássico de Gil Vicente, vê com os olhos do povo as peripécias do casamento.

O poeta Horácio pensava a arte como educação e divertimento. O Teatro em dia aposta nessa idéia, acreditando também que o melhor uso para uma hora vaga é um espetáculo cheio de qualidade.

Centro Cultural Banco do Brasil

Com muito prazer

Dez séculos antes do Renascimento ocidental ocorreu o da ïndia, sob os auspícios de Chandragupta II, chamado de Rei Sol. Foi uma época particularmente fecunda, em que, a partir da descoberta do zero, se chegou ao sistema decimal. Em que o teatro ensinou ao povo que o ser humano não é feito só de Mal ou só de Bem e que roupas coloridas fazem florescer o amor e a paz.

Como contar isto às crianças? Como contar-lhes fábulas da Idade Média? Como verter o alemão gótico Hans Sachs para o português de hoje e recriar moralidades quinhentistas ao som de Wagner? Como passar da farsa medieval à ópera bufa, tomando como base o romantismo do Elixir do Amor, de Donizetti?

As respostas estão em espetáculos como Shakuntalá, o Anel Perdido, de Kalidasa, Enganado, Surrado, e ...Contente, de Boccaccio e Mestre por um Triz, de Sachs, que a Companhia de Teatro Medieval vem montando desde 1988. Podia estar fazendo cinderelas e lobos maus, mais optou por temas e formas em que o espírito da commedia dell' arte (e da commedia all' improviso e da commedia erudita) se acrescenta à empatia de um visual requintado/elaborado. Nas quais a narrativa, embora fiel à simplicidade da tradição oral, se processa como um jogo de símbolos e transformações, abrindo os imaginários virginais as infinitas possibilidades da fantasia e da realidade. Uma esfuziante mixagem de teatro, circo, dança, música. Palavras e sons. Gestos, movimento. Panos, enfeites, adereços, artesanato fino. A universalidade intemporal da arte: o indiano Kalidasa antecipa o conto de fadas, o italiano Baccaccio desmascara os preconceitos moralistas que continuam sufocando cada nova geração, o germânico Sachs exalta a importância da Ética.

O básico do teatro é a fábula, disse Aristóteles. O báscio é o prazer com que a contamos, diria Márcia Frederico. O básico é o modo como a vestimos, diria o cenógrafo e figurinista Ricardo Venâncio. O básico é a capacidade lúdica que os comediantes da Companhia sempre tiveram para se comunicar com platéias de qualquer idade, transmudando o clássico em moderno e reestilizando o erudito sem lhe danificar a sabedoria.


Armindo Blanco - Jornalista

Seria desejável que alguém pudesse levar a cabo o sonho concebido por Afonso Lopes Vieira de adaptar o teatro Vicentino ao público de hoje. Antônio José Saraiva - Dr. Em Letras da Universidade de Coimbra

A marca da época Vicentina é uma explosão de liberdade: os diálogos humanistas, as navegações, o mecenato da dinastia de Avis... Ridicularizando exagerando, trazendo os vícios, corrigindo ou dando um exemplo, o teatro assume sua função de espelho, que imita, mas não repete a vida.

Vânia Leite Fróes - Prof. Titular de História Medieval da UFF

Ele mantém pura e inabalável sua fé - como homem da Idade Média - mas se permite censurar os desmandos dos que a representam na terra - como homem do renascimento.


Cleonice Berardinelli - Prof. Emérita da UFRJ - Titular da PUC-RJde literatura Portuguesa

Em sua décima montagem, após percorrer a Idade Média, a Cia. chega a uma de nossas raízes mais próximas. Portugal, na sua época de ouro e Gil Vicente, figura mor do teatro português.

Em 1523, Gil Vicente escreve A Farsa de Inês Pereira, considerada sua obra mais perfeita e completa, em resposta a um desafio: provocar que ele era mesmo autor, escrevendo um peça a partir do ditado popular "Mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube".

Inês Pereira, moça "da classe média", sonha em casar-se com um nobre da Corte discreto e avisado (culto e refinado), tocador de viola, desdenha o rústico Pero Marques. Mais o nobre é, por fora bela viola, por dentro pão bolorento.

Gil Vicente - Ourives da Rainha, Poeta do Rei, e Encarregador do Cerimonial do Paço - tinha a luz humanista do Renascimento, ao mesmo tempo que mantinha característica do teatro medieval, utilizando a estrutura farsesca com personagens estereotipados, passagens grandes de tempo, várias ações simultâneas e a tradição do folclore português. Em suas peças estão presentes: o parvo, a alcoviteira, o clérigo, fidalgos e plebeus, o diabo...; danças e cantos populares, a realidade e o alegórico.

No texto, interferência cuidadosa para tornar um autor de 1.500 acessível ao público de hoje. No cenário, cortinas - máquina registrada do seu teatro - e azulejos e mármores dos Palácios da dinastia de Ávis. Nos adereços, a aproximação dos folclores nacionais na viola - de cocho, o alude brasileiro. No todo, a expectativa de trazer um pouco do mundo daquela época e sua atualidade nos dias de hoje.

Elenco
Inês Pereira: Marcia Frederico
Representador, Pero Marques, Escudeiro: Isaac Bernat
Mãe, Ermitão: Evandro Melo
Lianor Vaz, Moço: Rogério Freitas
Parva, Judeu Casamenteiro: Eliane Costa

Ficha Técnica
Realização : Centro Cultural Banco do Brasil
Adaptação, Pesquisa, Produção e Divulgação : Marcia Frederico
Direção, Figurino, Cenário, Maquiagem, Trilha Musical, coreografia e Pesquisa : Ricardo Venâncio
Pesquisa, Perucas, Sapatos, Adereços de Figurino e Cena, Máscaras : Heloisa Frederico
Direção de Produção, Administração, Op. de som, Execução e Montagem do Cenário: Marcos Edom
Consultoria de História: Vânia Fróes
Consultoria de Literatura: Cleonice Berardinelli
Supervisão Institucional: Carmen Stella
Arranjo Musical, Bandolim e Asses.de Dança Folclórica: Sílvia Brasil
Arranjos Musical, Violão: Susane Travassos
Preparação vocal para Canto: Soraya Ravenle
Iluminação, Operação de Luz: Fred Pinheiro
Aderaçagem de Cenário: Luiz Ramalho
Fotos: Valerie Pollex
Programação Visual: Rodrigo Rodrigues
Assistentes de Iluminação: André Cunha e Márcia Francisco
Assistente de Figurino e Cenário: Lili Teixeira
Assistente de Adereços e Figurino: Maria Lúcia Barreira
Assistente Geral: Vera Regina Gonçalves