OS 50 ANOS DE "O TABLADO" E MARIA CLARA MACHADO
Parte I
Neste local, onde fica O Tablado, sempre funcionou o Patronato Operário da Gávea, que deve ter mais de setenta anos. Na verdade era um terreno da Cúria Metropolitana, que foi cedido ao Patronato, para eles realizarem um trabalho de assistência social. O Patronato dava aulas de costura, carpintaria, encadernação, música e muitas outras coisas. Quem organizava tudo isso, era uma senhora muito inteligente, chamada Helena Bahiana, que era da diretoria. A Maria Clara Machado já trabalhava aqui, fazendo recreação infantil.
Esses cursos e a assistência social eram para as pessoas que moravam em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas, que nesta época, tinha grandes favelas. Na verdade, um pouco diferente do que chamamos de favela hoje em dia. Do outro desta rua, tinha uma, que ia até a sede da Hípica. Anos depois, esta favela foi transferida para o Horto. A Pacheco Leão, era uma rua de vilas operárias. Tinha uma enorme fábrica de tecido, onde estes e os que moravam na favela trabalhavam. E era para eles, que o Patronato funcionava.
Eu conheci Maria Clara em 1943, num grande Jubileu de Bandeirantes, que teve, num acampamento internacional, dentro do Parque da Cidade, quando este foi inaugurado. Do grupo de Bandeirantes que Maria Clara fazia parte, também estava Kalma Murtinho. Depois desse Jubileu, nós continuamos a nos ver nesses encontros de Bandeirantes e num deles, ela nos convidou , eu e minha prima, Marília Macedo para participarmos do Teatro de Bonecos que ela fazia todos os domingos, depois da missa no Patronato.
Começamos a receber convites para apresentações de nossos espetáculos, em casa de amigos e estávamos cada vez mais animadas. Nós sempre participávamos das "domingueiras" do Aníbal.
O Aníbal Machado, escritor, pai da Maria Clara, era uma pessoa
fascinante e adorava conversar. Todos os domingos a noite, ele
reunia em sua casa um grupo de amigos e intelectuais e não admitia
que a Maria Clara não estivesse presente nestes encontros. Participavam
destes encontros um grupo de rapazes da PUC, coordenados pelo
professor de grego, Frei Sebastião Hasselman, que também fazia
teatro. Nós discutamos, conversávamos e com este grupo de rapazes
da PUC, saiu a idéia de fazer um espetáculo.
O Frei resolveu então fazer um teste com os rapazes da escola
para escolher os que estariam na peça. O falecido ator Sérgio
Cardoso, foi reprovado e o Frei ainda disse que ele não poderia
nunca exercer essa profissão. Do elenco, Maria Clara era a única
mulher. A apresentação foi no antigo Teatro de Bolso, que ficava
na Praça General Osório e que pertencia ao Silveira Sampaio. O
espetáculo era
A Farsa do Advogado Patelin. No elenco estavam
o João Sérgio, o Cláudio Fornagli, Geraldo Queiroz entre outros.
Foi nesta época, em 1950, que Maria Clara ganhou uma bolsa de estudos para estudar na França. Quando ela voltou, encontrou com o Martim Gonçalves (o nome verdadeiro dele era Eros Martins Gonçalves, mas como ele não gostava e mudou) e decidiram formar um núcleo. Foi ele, inclusive que deu o nome O Tablado.
Enfim, foi destas reuniões do Aníbal e o encontro com Martin, que se concretizou O Tablado. A ata de constituição foi feita também na casa da Maria Clara. O João Sérgio ficou como presidente. Ele tinha acabado de se formar advogado e colocou logo o Tablado dentro da lei, fazendo o estatuto, os registros e atas de acordo com as necessidades. Durante muito tempo servimos de referência para os grupos que estavam sendo criados e queriam estar legalizados. Eu entrei de tesoureira e continuo até hoje.
Como eu era mais organizada, ajudava a fazer as contas, organizava os papeis, as fotos. A Maria Clara nunca se preocupava com essa organização e se fosse por ela talvez nós nem teríamos todo esse acervo. Alias, muitos artistas são assim, não se preocupam com suas coisas, não guardam suas fotos. Acho que eles tem outras coisas que pensar.
Nós tínhamos uma parede com pé direito muito alto e colocávamos todos os cartazes nela. A Maria Clara adorava subir numa escada e colocar as datas de estréias nos cartazes, de modo que quando queríamos ter alguma informação deste tipo era só era olhar na parede.
Em nossa estréia, em 1951, tivemos dois espetáculos curtos. O
primeiro era um Nô, chamava-se
O Moço Bom e Obediente, dirigido pelo Martim, onde Maria Clara
trabalhava como atriz . A outra peça, também curta, era dirigida
pela Maria Clara,
O Pastelão e a Torta.
Nós não tínhamos dinheiro nenhum, mas recebíamos a simpatia da
D. Helena, que era a presidente do Patronato e de outra diretora,
a Sra. Delamare que deixava que utilizássemos tudo do patronato.
A sala onde está hoje o teatro, foi construída para ser um salão de festas para os operários. Era um pátio interno, que foi aproveitado, e foi construído de uma maneira, que hoje em dia não se faria, pois lá ficavam os bueiros de esgoto, tubulações de água. Tivemos que fazer várias reformas por causa das enchentes e chuvas, mas isso aconteceu muitos anos depois.
Naquela época não nos interessava saber se teríamos público ou não, o que queríamos era fazer. Vendo com essa distância de tempo, é muito divertido. O que tinha de discussão e briga, as vezes por nada, era incrível. Antes da estréia teve uma briga entre a Clara e o Martim, por um pedaço de lamê. Foi uma coisa! Mas o que todos queriam, era fazer o melhor. O grupo vinha pra cá, para construir e pintar o cenário, costurar as roupas, enfim tudo. A gente ficava furiosa, quando algo não ficava bom. Eu lembro que a gente brigou com Napoleão por causa de um cenário que não estava bem pregado e ele dizia. Mas eu sou engenheiro, não sou carpinteiro. Na verdade nós éramos muito metidas a fazer tudo. A gente nunca pensava em comprar algo pronto. A gente queria era fazer.
Nem cadeira nós tínhamos. As pessoas ficavam sentadas no chão ou nas poltronas do Patronato. Muito depois, quando começamos a fazer os espetáculos infantis e o público foi aumentando, é que resolvemos pedir as cadeiras emprestadas da Igreja Santa Margarida Maria.

Filipeta de 1953 |
A Maria Clara sempre escreveu os texto para o teatro de bonecos, e depois que o Tablado começou a funcionar ela começou adaptar alguns destes textos para atores. O primeiro foi
O Boi e o Burro a Caminho de Belém, em 1953. A Kalma Murtinho é quem sugeriu de montar essa peça e foi ela que fez os figurinos.
A montagem era muito engraçada. O palco só tinha coxia de um lado e todo mundo ficava exprimido num dos cantos. Inclusive neste canto ficava o sistema de resistência de luz a base sal. Portanto todos os atores só podiam entrar e sair de cena por um lado. Muito tempo depois, fizemos um buraco na parede do outro lado. Só que era no alto e tínhamos que subir por escada muito vagabunda. Essa saída dava para uma porta de ferro que dava na rua e portanto os atores tinham que dar a volta por fora do Tablado para poder entrar do outro lado. Quando chovia então, era uma beleza, fazer esse malabarismo todo. As vezes, os atores escorregavam, se sujavam. Mas ninguém reclamava. Era divertido!
Quase todos que freqüentavam as reuniões do Aníbal compareciam nos espetáculos. Muitos amigos vinham nos ver. Nós tínhamos uma amiga muito próxima, a Estela, casada com o João Cabral de Mello Neto, que sempre levava os quatro filhos e até o João foi algumas vezes. Mas aos domingos na casa do Aníbal ele sempre dizia:
" - Não agüento mais essa "pecinha" de Natal, Maria Clara! Vamos acabar com isso!
Eu vou fazer um Auto de Natal e vou dar de presente pra vocês.
Tem que ser uma coisa brasileira! Só falta você botar neve em cena! "
O Boi e o Burro, 1953.
Paulo Padilha e Emílio de Mattos |
Depois de um tempo, o João Cabral nos deu de presente um Auto de Natal. A
Maria Clara, leu, e acha os versos muito lindos, mas muito triste,
acha que não daria para montar para crianças e resolve guardar
o texto. Em 1968, o João Cabral, estava sendo perseguido e o pessoal
do Teatro Tuca de São Paulo, através do próprio João, soube desse
texto e o pediram para Maria Clara, que o enviou. Nesta época
o Chico Buarque também já estava no grupo e fez as músicas. O
nome do texto?:
Morte, Vida Severina!
Em 1953 não tínhamos condições de entender e montar um texto daqueles,
com aquela concepção e dimensão que mostrava. Também nosso objetivo
era um texto para crianças e acabamos remontando o
Boi e o
Burro, e continuamos fazendo até hoje. Fizemos também muitas
apresentações em praças públicas, em fábricas. O Dom Helder, era
nosso fã e sempre nos colocava em algum evento da Diocese ou da
Prefeitura. Sem dúvida é a peça mais remontada no Tablado.
O Rapto das Cebolinhas, 1952. João Sergio, Carmem Silva Murgel e Carlos Augusto dos Santos. Foto: Humberto Moraes Franceschi |
Quando o Emílio Mattos, que fazia o Boi, comunicou que ia casar com a Zélia, Don Helder quis realizar a cerimônia. E o sermão, advinha? foi todo em cima da peça. Num determinado momento, ele pede para a Kalma, que estava ao piano, para tocar Noite Feliz, que fazia parte do espetáculo, mas não tinha nada a ver com o casamento. Foi realmente muito engraçado. Dom Helder era fã, de todos os espetáculos do Tablado. Ele sempre vinha assisti-los.
Em 1954, o João Bithencourt voltou dos Estados Unidos, onde tinha
feito um curso de roteirista. Maria Clara que já era amiga dele,
o convidou para dirigir
Nossa Cidade, clássico americano.
Durante os ensaios, chegou a Vânia Borges, pois o grupo precisava
de pessoas para cantar no Coro. Como ela tinha estudado no Colégio
Bennet, conhecia todas as músicas protestantes cantadas no espetáculo.
Chegou, acabou ensinando a todos e continua no Tablado até hoje,
como eu.
O grupo ensaiou meses e como o João não estreava a peça, Maria
Clara resolveu montar com os mesmos atores
O
Rapto das Cebolinhas. Quem fazia o Maneco era o Roberto de
Cleto. Este foi o primeiro texto escrito por Maria Clara, especialmente
para atores.

"Pluft, o Fantasminha" 1955.
Vânia Borges e Kalma Murtinho. Foto: Carlos |
Trabalhávamos cada vez mais e em 1955, colocamos cinco espetáculos
em cartaz. Entre eles
Pluft,
O Fantasminha, que foi sem dúvida, nosso maior sucesso.
Só no primeiro ano foram 90 apresentações. Sabe o que significa
isso em 1955? O sucesso foi tanto que nos chamaram para levar
o espetáculo São Paulo e lá, Maria Clara recebeu o premio pelo
melhor texto do ano.
Depois desse, sempre que ela entrava nos concursos, recebia
prêmios.No final virou hors-concours, pois diziam que ela já
tinha ganho muitos.
O texto fez tanto sucesso que acabou sendo traduzido por Michel
Simon para o francês. Depois Juju Drumond de Andrade traduziu
para o espanhol e a peça foi levada em Bueno Aires, onde ela
morava. Foram muitas as traduções e apresentações mundo afora.
Maria Clara ficou internacionalmente conhecida. Quando ela esteve
em Atenas, participando de um Congresso de Teatro Infantil,
discutindo direitos autorais, um dos componentes da mesa disse
que o Brasil não pagava direitos autorais e um russo que também
participava, disse que eles também não pagavam e informou que
o maior sucesso de teatro para crianças de lá, era
O Rapto
das Cebolinhas que tinha sido apresentado da Geórgia a Moscou.

O Chapeuzinho Vermelho, 1956. Ivan Albuquerque e Carlos Augusto Nem. Foto: Carlos |
Em 1956, Maria Clara fez a adaptação de
O
Chapeuzinho Vermelho. A Anna Letycia, que nesta época era
taquígrafa da Câmara dos Deputados, ajudava o Napoleão
a fazer cenários de nossas peças. Como ela gostava muito de
pintar, fez o cartaz do espetáculo. Naquela época, nós também
fazíamos os cartazes, um a um, em silk-screen.
Foi nesse ano que tivemos um pequeno incendio no palco. Nós
havíamos terminado um ensaio do
Chapeuzinho Vermelho,
quando alguém jogou uma ponta de cigarro no chão e a cortina
pegou fogo. Chamamos os Bombeiros, eles vieram e encharcaram
tudo, o palco, o piano. Foi um Deus nos acuda.
Tivemos que reformar o teatro e para conseguirmos dinheiro,
nós bolamos as chamadas Cadeiras Cativas. Quer dizer, nós compramos
as cadeiras e as revendemos. Quem as comprasse, tinha direito
a assistir a todas as estréias do Tablado. Chegamos a
ter 280 cadeiras. As vezes fazíamos até duas sessões por estréia.
Ainda hoje temos cadeiras cativas e quem comprou naquela época
continua recebendo nossos convites. Claro que o número é bem
menor. Para você ter uma idéia, a mãe da Bárbara Heliodora tinha
comprado 3 (três) e até hoje a Bárbara tem uma. Estamos pensando
em fazer uma nova versão para renovar as poltronas e deixá-las
mais confortáveis.
No mesmo ano ainda montamos
O
Embarque de Noé. Cenário da Belá Paes Leme, e máscaras do
Dirceu Nery casado com a Marie Louise que acabavam de chegar
de Paris, e se integravam ao grupo.

O Embarque de Noé, 1957. Kalma Murtinho, Yan Michalski e Carlos de Oliveira. |

A Bruxinha que era Boa, 1958. Vânia Borges e Leizor Broz. |

O Cavalinho Azul, 1960.
Ivan Junqueira, Luiz de Affonseca, Celina Whately, Claire Isabela, Yan Michalski e Antero de Oliveira.
Foto: Carlos |
Tivemos algumas críticas elogiando o Germano Filho. que fazia
o Sr. Noé, o cenário da Belá, mas teve um crítico em particular
que nos arrasou. O Paulo Francis nos destruiu. Foi nossa primeira
decepção. Naquela época não havia crítico de teatro infantil
e sim críticos de teatro e foi assim que ele veio ver o espetáculo.
O Silveira Sampaio também nos criticou dizendo que fazer peça
com bicho era um atraso.
Em compensação a segunda versão foi um sucesso, em vez de música
incidental, como na primeira, esta versão era realmente um musical.
O elenco cantava e dançava Não tinha naquela época, um espetáculo
que colocava em cena a quantidade de atores como nós. E olha
que ainda não tínhamos a escola. Eram amigos, conhecidos que
participavam do espetáculo. E saiam de um espetáculo e entravam
no outro e assim por diante. A cada peça que fazíamos no Tablado,
sempre tinham vários atores que vinham das anteriores. É só
ver a relação de elencos e notar como os nomes se repetem. O
Germano, o João das Neves, o Leizor, o Joel de Carvalho, Paulinho
Nolasco, Elizabeth Galotti e tantos outros. Eram amigos que
traziam amigos. Era uma grande família, tanto que a Vânia casou
com o Jorge Leão Teixeira, eu com o João Sérgio Nunes, a Juarezita
com o Luiz Carlos Nem, a Zélia com o Emílio Mattos, a Celina
Whately com o Ivan Junqueira. Sem contar os namoros, encontros
e desencontros casuais.
A montagem seguinte, em 1958, foi
A
Bruxinha que era Boa, que tinha um elenco muito interessante.
Trabalharam a Maria Pompeu, Ana Maria Magnus, Juarezita Alves
e Bárbara Heliodora. A Bárbara era amiga de nosso bilheteiro,
Fernando Cavalcanti, e sempre trazia as filhas para ver os espetáculos.
Foi se aproximando e começou a trabalhar nas peças. O primeiro
espetáculo que ela participou foi o
Baile dos Ladrões. Depois
fez uma árvore, uma bruxa, uma girafa.
Quem diria? - naquele tempo, nós éramos todas "mignons". Quanta
gente não participou do Tablado? - A Maria Tereza Vargas, foi
nossa secretária e também participou dos Cadernos de Teatro.
Em 1960, estreamos
O
Cavalinho Azul . foi outro marco na história do Tablado.
Também nesse elenco tivemos amigos que vieram a ser grandes
personalidades. O Yan Michalski,
que já trabalhava conosco desde o
Baile dos Ladrões (aliás,
ele e Bárbara, que muito depois, se tornaram críticos de teatro,
estrearam juntos no Tablado), O Ivan Junqueira, que hoje é da
Academia Brasileira de Letras, o Anthero de Oliveira, que fazia
um palhaço maravilhoso, uma personagem tão terna, a Virginia
Valli, que além de atriz, era uma escritora excepcional. Ela
escreveu um livro para crianças
Pinto Calçudo Descobre o
Brasil, fazendo brincadeiras com a história do Brasil. Acho
que foi um dos primeiros livros de literatura infantil. Ela
era técnica de teatro infantil, de bonecos, de mamulengo. Ela
trabalhava muito com crianças excepcionais, do Instituto Pestalozzi.
Além disso, tinha uma voz excelente e trabalhou anos no Tablado,
inclusive dirigindo os Cadernos de Teatro.
A 1ª parte do depoimento de Eddy Rezende Nunes foi realizada
em 22 de janeiro de 2001 por Antonio Carlos Bernardes.
Fotos: Arquivo O Tablado.
Parte II

Maroquinhas Fru-Fru, 1961. Jacqueline Laurence e Ariel Miranda. Foto: Carlos |
O espetáculo a seguir foi
Maroquinhas
Fru-Fru que foi um texto adaptado do teatro de bonecos que
Maria Clara já havia encenado. Foi publicado nos Cadernos
de Bonecos, mas ela resgatou apenas alguns dos personagens da
história original. A gente gostava e fazia muito isso.
Existe um pequeno livro da edição Melhoramentos que se chama
Como
Fazer Teatro de Bonecos, nele tem um texto chamado
O Roubo
do Colar de onde a Maria Clara adaptou. Como já disse,
graças as Domingadas do pai da Clara, é que nós
tivemos a oportunidade de conhecer vários artistas. Foi lá,
por essa época que ela teve a sorte de encontrar o Carlos Lyra.
Ele soube que ela estava querendo fazer um musical do Maroquinhas
e aí foi falar com ela e acabou fazendo a música.
Maroquinhas
Fru-Fru fala de um concurso de bolos onde o que não importa
é a competição. Acontece que várias pessoas na cidade estão
em função do concurso, uns querendo roubar as receitas, outras
querendo a própria
Maroquinhas porque ela era também muito
cobiçada. Foi uma montagem muito agradável mesmo. Faziam parte
do elenco da Maroquinhas, Jacqueline Laurence que estava ótima,
a Maria Miranda; Tereza Redig de Campos, Virginia Valli, Celina
Whately e muitos outros.
Quem começou a atuar nesta montagem foi o Carlos Wilson,
o Damião. Começou no Tablado como ator em 1961 e a dirigir em
1978. Ele trabalhava com menores na Funabem e veio aqui perguntar
para a Clara o que ele poderia fazer com aqueles jovens porque
ele reparava que eles gostavam muito de representar. O Damião,
tinha uma boa formação. Mas ele queria fazer coisas diferentes,
era muito inquieto e a Clara acabou convidando a ele para atuar
e ele topou. Depois ele veio trabalhar aqui no Colégio Souza
Leão que era particular mas que dava muita liberdade para experimentos
e ele começou a dar aulas de teatro lá também. Ele se realizou
muito porque os jovens de lá tinham quase a mesma idade dos
nossos, alguns inclusive estudavam teatro aqui também.
Sempre trabalhou com muito esmero, era um ótimo produtor, fazia
as coisas com calma. Seus trabalhos tinham muita vibração. Já
com dinheiro ele não tinha muito cuidado. Certa vez nós lhe
fizemos um pagamento e ele começou a andar mancando,
porque havia guardado o dinheiro no tamanco. Minutos depois
ele voltou dizendo: "Que praga! Não acho o meu dinheiro", e
eu lhe disse: "Não acha porque eu fui recolhendo do chão".
A Clara, a Kalma, a Ana, a Vânia e eu éramos as mulheres da
vida dele, como ele dizia. Mas ele tinha mesmo era um fascínio
pela Maria Clara.
O Fernando Pamplona também se ofereceu para colaborar na iluminação,
na montagem dos refletores de
Maroquinhas. Antes dele
ser conhecido como carnavalesco ele era iluminador, aliás um
grande iluminador. Ele tentou dar um jeito, porque até então
não havia iluminação cênica como a gente conhece hoje. Somente
na década de 70 que a iluminação deu um salto tecnológico.
A seguir Maria Clara adaptou
A Gata Borralheira.
Uma adaptação muito engraçada tirando aquele ranço, aquela maldade
toda que tem na história. A trama tinha muitas nuances,
os pretendentes eram todos pseudos-intelectuais. Sabedoria era
saber falar palavras difíceis, cheias de enfeite. Foi um espetáculo
muito divertido. Trabalhamos com a Martha Rosman, a Jacqueline
fazia a madrasta e a menina era a Celina Whately, que fez a
menina na montagem do
Cavalinho Azul, em 1960..
A Clara sempre teve muitas amigas, no grupo de Bandeirantes
chegou a ser chefe geral aqui do Rio de Janeiro, então
conhecia muita gente. Quer dizer, que todas as dificuldades,
problemas que ela constatava ficavam dentro da cabeça dela.
Fosse da escola, família, sociedade, enfim tudo. Quando montamos
A Menina e o Vento,
de 1963 o que a inquietava era essa coisa "de
tia", de castigo. Ela tinha uma imaginação fantástica.
Das muitas peças que Clara escreveu, teve um personagem que
se repetiu por várias vezes. Foi o Camaleão. Primeiro ele aparece
em
O Rapto das Cebolinhas, em 1958.
A seguir em
A Volta do Camaleão Alface
em 1965, depois em
O Camaleão na Lua,
em 1969 e ainda tem um outro que ela não montou chamado
O
Camaleão e as Batatas Mágicas, que era para um público
bem infantil. Ela tinha um fascínio por personagens que lembravam
a fazenda do seu avô em Minas onde ela se encontrava com os
primos. Lá tinha tudo isso: Cavalo, burro, cachorro, camaleão.
Além disso ela tinha a lembrança das histórias
que o avô lhe contava.
Foi na montagem de
A Volta do Camaleão que o
Jorginho de Carvalho teve sua primeira participação
em teatro.Foi um caso a parte. Ele estava sempre aqui na rua
brincando e a Clara chamava para participar das montagens. Ele
começou a se interessar e aprender aqui com os meninos da iluminação.
Tempos depois saiu por aí, mas nunca nos abandonou. Voltou diversas
vezes e sempre foi nosso conselheiro, nos ajudando e orientando.
Nos anos 70 ele revolucionou o conceito de iluminação. Para
nós era uma maravilha porque nós não dominávamos o assunto.
A Clara e eu nos descabelávamos com aquela montoeira de fios
que não sabíamos para que servia.
Mas nesse processo de iluminação aconteceu o seguinte: primeiro
foi um amigo, que inclusive ajudou a fundar o Tablado, o Carlos
Augusto Nem. Nós o conhecemos quando fizemos um viajem com as
Bandeirantes aos Estados Unidos. Acho que o pai dele era presidente
do Banco do Brasil e morava lá em Washington. Quando nós voltamos
e começamos com o teatro ele logo disse "Tô nessa!". Depois
ele casou-se com uma das meninas daqui. Mais tarde entrou o
Sérgio Catiá que também tinha muitas idéias de iluminação. E
depois dele o Ricardo Machi que trabalhou no
Tribobó City com
o Jorginho. Ele tentou mudar o funcionamento das mesas de luz,
mas ficou por pouco tempo. Depois veio o Roberto Santos, teve
Neném, o Cláudio Neves, o Maneco Quinderé. Mas o Jorginho ficou
muitos anos e quando ele não podia fazer por motivos de viagem
a gente chamava outra pessoa, quase todos eram assistentes dele.
Voltando a falar dos espetáculos. Chegou um momento que
nós percebemos, que depois de 10 anos um clássico do teatro infantil
poderia ser remontado porque a nova geração desconhecia. Pluft,
é um exemplo. A primeira montagem é de 1955 e o segundo
Pluft, foi em 1964. Esses textos são todos muito simples e
imaginativos. O segredo está aí. Percebemos que quando alguém
de fora monta um texto da Clara e resolve inventar mais coisas
acaba complicando a história e o encanto desaparece.
Quando o
far-west virou moda, ela fez uma brincadeira
com os
cowboys. Aí veio em 1971, comemorando os vinte
anos do Tablado,
Tribobó City,
que bem poderia ser Magé, Macaé e por aí vai. O bairro já existia
e o pai dela tinha uma usina em Campos e quando ela pegava o
trem tinha que passar por Tribobó. O Ubirajara Cabral era engenheiro
da COP de Minas Gerais e nos foi apresentado pelo marido da
Bete Coimbra, que também era de lá. E ela nos disse que ele
era engraçadíssimo ao piano e que tinha uma vasta cultura. O
primeiro trabalho dele foi no
Tribobó, mas ele acabou fazendo
parte da família e fez muitos outros. Lupe Gigliotti
participou também de Tribobó. Ela apareceu aqui
quando a Clara fazia o espetáculo
As Interferências,
em 66. Ela sempre trazia a filha, a Cininha de Paula, na época,
Maria Lupcínia. Clara perguntou para ela se queria representar,
ela disse que sim e entrou. Depois a Cininha fez a
Maria Minhoca, em 1968.
As aulas surgiram seriamente na vida de Clara mais para na
década de 70. Ela sempre gostou muito dar aula, como professora
que era. Uma vez por ano ela fazia uma reunião com outras professoras,
que fazia parte do trabalho das Bandeirantes. Em um dado momento
elas pediram à Clara que desse umas aulas sobre o assunto porque
já haviam lido a respeito nos Cadernos de Teatro. Essas aulas
eram sempre nas férias, janeiro ou julho. Na verdade essas aulas
eram dadas em outros locais. O Rodolpho Celli também
pediu para a Clara, dar umas aulas na Escolinha de Artes. Só
mais tarde surgiu uma turma maior onde estavam o Daniel, a Louise,
a Sura, e que ficou sendo um grupo mais estável. Chegou um momento
que a Clara resolveu juntar as turmas. Ela era professora do
conservatório no Dulcina e também na UniRio e esse pessoal começou
a se envolver com as montagens que a gente fazia aqui no Tablado.
A Silvinha Fucs é dessa época.

Pluft, 1974. Carlos Wilson e Louise Cardoso. Foto: Carlos |

O Patinho Feio, 1976. Maria Gatti e Sura Berditchevsky. Foto: José P. Guimarães |
Com a morte do pai, a Clara resolve também dar aulas
particulares aqui no Tablado. Aí foi aparecendo gente com criança
e a irmã da Maria Clara tinha um jeito todo especial de lidar
com elas. As duas então davam essas aulas particulares. Foi
assim que começou o escola. Somos uma grande família
que vai se ajudando. Nosso método sempre foi muito bom e nós
não queremos nos tornar uma escola de formação
profissional.
O tempo foi passando, nossas crianças foram nascendo. Eu tenho
sete filhos. A Vânia tem três. Tem os sobrinhos da Clara, a Cacá,
o Vicente. O Rogério e o Sérgio são um pouquinho mais velhos.
Tem a Lilí, o Marquinhos e o filhos do Marquinhos. Acabamos tendo
um público caseiro, que vinham assistir sempre e alguns acabaram
ficando. Foi o caso da Cacá Mourthé. O primeiro papel de dstaque
foi quando ela fez Pluft, em 1977, mas bem antes ela já havia feito a Vassa Geleznova, em 74. Depois ela entrou no Dragão também, fez
O
Patinho Feio em 76. Cacá começou como atriz, foi chegando,
trabalhando, começou a fazer assistencia de direção
e depois a Clara a convidou para dirigir mas isso, já na década
de 90. Mas ela não foi a única a assumira a direção
dos espetáculos. Tivemos direções do Damião, Bernardo,
do Toninho, do Carlos Lúcio e da própria Maria Clara. Foi de 1998
em diante que a Cacá assumiu mesmo.
Maria Clara deixou uma grande contribuição para o País. Uma
contribuição imensa. Foi como um rio que vai passando e vai
pegando todos os afluentes, da margem esquerda, da margem direita.
Ela sempre mexeu com as pessoas. Era muito amiga mesmo, muito
presente. Tratava a todos com igualdade, respeito. Adorava o
teatro. Ela era muito levada, uma eterna criança.
2ª parte do depoimento de Eddy Resende Nunes a Antonio Carlos
Bernardes, em 27 de setembro de 2001.
Maria Clara Machado - Notas Bibliográficas
Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, filha de Aníbal Machado
(escritor) e Aracy Jacob Machado. Veio para o Rio de Janeiro
ainda criança, onde fez seus estudos. Começou a carreira artística
com um teatro de bonecos que fundou e dirigiu durante cinco
anos. Desta experiência publicou um livro "Como Fazer Teatrinho
de Bonecos" (editado pela Melhoramentos), que esgotou-se rapidamente.
Em 1969 a Livraria Agir reeditou-o. Ainda nesta fase escreveu
dez peças para fantoches.
Em 1950 recebeu uma bolsa de estudos do governo francês, para
estudar teatro em Paris, durante um ano. Na Europa recebeu outra
bolsa de estudos da Unesco e fez um curso de férias em Londres.
De volta a Paris em 1952, freqüentou o curso de mímica de Etienne
Decroux.
Ao voltar ao Brasil, em 1951, fundou no Rio de Janeiro O Tablado, companhia de amadores.
O Tablado tem sido início de carreira de muitos artista profissionais, hoje de renome.
Em 1956 fundou a revista Cadernos de Teatro, para orientar
grupos amadores e professores.
De 1959 à 1974 foi professora de improvisação no antigo Conservatório
Nacional de teatro, hoje escola de teatro da Uni Rio, onde foi
também diretora durante um ano (1967 - 1968).
Em 1961 foi convidada pelo governo do Estado da Guanabara para
dirigir o Serviço de Teatro e Diversões do Estado e ao mesmo
tempo ocupou o cargo de Secretário - Geral do Teatro Municipal
do Rio de Janeiro. (ocupou o cargo até princípio de 1963).
Em 1965 representou o Brasil no congresso de Teatro para Juventude,
realizado em Paris. Nesta ocasião teve oportunidade de ver sua
peça "O Cavalinho Azul", em Paris, montada para representar
o Brasil no Congresso de ILT, da Unesco em Tel-Aviv.
De 1964 a 1999 dirigiu o curso de improvisação no Tablado.
O Teatro de Maria Clara Machado já atingiu o panorama internacional.
Suas peças foram traduzidas para o francês, inglês, alemão,
holandês, sueco, russo, espanhol, árabe, etc. sendo que as mais
procuradas são: Pluft, O Fantasminha, O Rapto das Cebolinhas,
A Bruxinha que era Boa, O Cavalinho Azul e A Menina e o Vento.
Tradutora de várias histórias infantis para as Editoras Cedibra,
Livros de Ouro e Expressão e Cultura. A Editora Losange de Buenos
Aires, editou em espanhol um livro com as seguintes peças: A
Menina e o Vento, Pluft, o Fantasminha, e O Cavalinho
Azul, traduzidas pôr Maria Julieta Drummond de Andrade.
Em 1979 no Centro de Estudos Brasileños foi editada na tradução de Maria Julieta Drummond de Andrade "Teatro Infantil" com as
seguintes peças: O Rapto das Cebolinhas, A Bruxinha que era
Boa e O Cavalinho Azul.
Maria Clara Machado faleceu em abril de 2001.
Editora AGIR:
TEATRO I - Pluft, o Fantasminha, A Bruxinha que era Boa, O Rapto das Cebolinhas,
O Chapeuzinho Vermelho, O Boi e o Burro no Caminho de
Belém.
TEATRO II - A Volta do Camaleão Alface, O Embarque
de Noé, O Cavalinho Azul. Camaleão na Lua.
TEATRO III - A Menina e o Vento, Maroquinhas Fru-Fru,
A Gata Borralheira, Maria Minhoca.
TEATRO IV - O Diamante do Grão-Mogol, Aprendiz de
Feiticeiro, Tribobó City, Gato de Botas.
TEATRO V - Os Cigarras e Os Formigas. O Patinho Feio, Camaleão e as Batatas
Mágicas, Quem Matou o Leão?
TEATRO VI - João e Maria, Um Tango Argentino, O
Dragão Verde, A Coruja Sofia, A Bela Adormecida.
A Coruja Sofia
Como Fazer Teatrinho de Bonecos
O Dragão Verde (conto com ilustrações de Cybele Cotrim.
Eu e o Teatro (uma coleção de cartas e memórias) A Viagem de Clarinha (conto com ilustrações de Gian Calvi)
100 Jogos Dramáticos (de parceria com Martha Rosman) Exercícios de Palco
Editora CEDIBRA
O Cavalinho Azul (conto com ilustrações de Mary Louise Nery)
Pluft, O Fantasminha (conto com ilustrações de Anna Letycia)
Editora JOSÉ OLYMPIO
Clarinha na Ilha (conto com ilustrações de Rogério Cavalcanti)
A Aventura do Teatro
Editora BLOCH
Aventuras no Grotão da Mata
A Menina e o Vento
A Volta do Camaleão Alface
Papagaio Avião
Editora SALAMANDRA
Criança também tem Direito (com ilustrações de alunos da Rede Municipal
do Rio de Janeiro)
Editora Global
Uma Aventura na Floresta
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1963 - Referência 345
2 atos. Levada pela primeira vez na TV-RIO, 2º lugar no
concurso de peças para TV.
1964 - Miss Brasil
2 atos. Foi montada pela primeira vez em 1970 no Teatro Opinião.
1965 - As Interferências
1 ato. Foi montada pela primeira vez em 1966, com música
de Reginaldo de Carvalho.
Publicada nos números 36 e 57 dos Cadernos de Teatro.
1969 - Os Embrulhos
1 ato. Foi montada pela primeira vez em 1970. Publicada
no Cadernos de Teatro - 47
1972 - Um Tango Argentino
Comédia musical montada pela primeira vez em 1972. Publicada
no Cadernos de Teatro - 56.
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Prêmio Anual de Peças Infantis da Prefeitura do Distrito Federal, em 1953
(Texto de O Rapto das Cebolinhas)
Prêmio Anual de Peças Infantis da Prefeitura do Distrito Federal, em 1955
(Texto de A Bruxinha que era Boa)
Prêmio da Associação de Críticos de São Paulo, como
melhor espetáculo amador e melhor autor nacional, em 1956
(Pluft, O Fantasminha).
Hors Concours no Festival de Peças Infantis, abril 1958, do SNT - MEC
(A Bruxinha que era Boa).
Personalidade do Ano - 1961 - pela passagem do décimo ano de fundação do Tablado. Fundação Brasileira de Teatro.
Atelier de Teatro de Caxias do Sul - 1962 - pela peça
Pluft, OFantasminha
Prêmio Sacy - Melhor autor nacional com a peça Pluft,
O Fantasminha (Jornal O Estado de São Paulo) 1956.
Prêmio Conchita de Moraes,1965 - Fundação Brasileira
de Teatro - Personalidade.
Troféu Criança - Diário de Notícias, 1967 - com O
Diamante do Grão-Mogol
Troféu do Teatro Amador de Friburgo - 1968 - com a
peça Maria Minhoca.
Golfinho de Ouro - como melhor autor do ano do Estado
da Guanabara (Museu da Imagem e do Som) - 1968 (Aprendiz
de Feiticeiro e Maria Minhoca).
Prêmio Molière - Air France - 1968 com as peças Maria
Minhoca e Aprendiz de Feiticeiro.
Prêmio do 3º Festival de Peças Infantis da Guanabara
- 1970 com a peça Maroquinhas Fru-Fru.
Personalidade Global - 1974 - "O Globo" e TV - Globo.
Prêmio Paulo Pontes em 1980, Acet - Funarj - Governo
do Est.do Rio de Janeiro.
Prêmio Mambembe em 1981 - São Paulo (Personalidade do Ano).
Prêmio Molière - Air France - 1981, pelos 30 anos do Tablado.
Prêmio Mambembe em 1984 como melhor autora de Teatro
Infantil pela peça O Dragão Verde.
Prêmio Mambembe em 1987 - O Gato de Botas.
Prêmio Coca-Cola de Teatro Infantil em 1988 - Hors Concours.
Prêmio Coca-Cola em 1991 - pela sua dedicação ao Teatro Infantil.
Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 1991 - pelo conjunto de sua obra.
Prêmio Coca-Cola em 1993 - O Diamante do Grão-Mogol
- Hors Concours.
Prêmio SATED - APART em 1995
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Em
Teatro
1949 A Farsa do Advogado Pathelin - medieval
francês (Guilhermina).
1951 A Moça da Cidade- mímica de Maria Clara
Machado.
1952 O Moço Bom e Obediente - Betty Barr e Gould
Stevens (A esposa).
1952 Sganarelo - Molière (Célia).
1953 A Sapateira Prodigiosa - Garcia Lorca (A
Sapateira).
1954 Nossa Cidade - Thornton Wilder (Emily Webb).
1955 O Diálogo das Carmelitas - Bernanos (Blanche).
1955 Tio Vânia- Tchekov (Sônia).
1957 O Tempo e os Conways - J. B. Priestley (Kay).
1959 O Living-Room - Graham Greene (Tereza).
1959 Do Mundo nada se Leva - Kaufman e Hart (Essie).
1960 D. Rosita a Solteira - Garcia Lorca (D.
Rosita).
1961 O Mal-Entendido - Albert Camus (Maria).
1981 Ensina - me a Viver - Collin Higgins (Maude).
1985 Este Mundo é um Hospício - Joseph Kesselring
(Abigail).
Em Cinema
1951 Angela - da Cia. Vera Cruz, dirigida pôr
Tom Payne.
1983 O Cavalinho Azul - direção de Eduardo Escorel
(Velha que Viu).
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Além de dirigir
todas as suas peças, Maria Clara Machado dirigiu:
1951 A Farsa do Pastelão e da Torta - medieval
francês.
1951 A Moça da Cidade - mímica.
1953 A Sapateira prodigiosa - Garcia Lorca.
1956 A Sombra do Desfiladeiro - J. M. Sygne.
1958 O Matrimônio - Gogol.
1959 Do Mundo nada se Leva - Kaufman e Hart.
1962 O Médico a Força - Molière.
1963 Barrabás - Michel de Chelderode.
1964 Sonho de uma Noite de Verão - William Shakespeare.
1965 Arlequim Servidor de Dois Patrões - Goldini.
1967 A Farsa do Pastelão e a Torta - Medieval
francês.
1974 As Aventuras de Pedro Trapaceiro - Medieval
francês.
1974 Vassa Geleznova - Máximo Gorki.
1975 O Dragão - Eugène Schwarz.
1979 O Platonov - A. Tchekov.
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