![]() Silvia Aderne, foto Beto Coimbra |
![]() Da Metade do Caminho..., Regina Costa, Richard Roux, Cristina Martins, Silvia Aderne, Jorge Guerreiro, Ausonia Bernardes, 1975 |
![]() A Gaiola de Avatsiú, Silvia Aderne. foto Beto Coimbra, 1977 |
![]() Fala Palhaço, Silvia Aderne, Regina Alinhares, Arnaldo Marques, Emmanuel Santos, Beto Coimba. Foto Ivan Klingen, 1991 |
![]() Ou Isto ou Aquilo, com Silvia Aderne, Tarcisio Ortiz, Sérgio Fidalgo, Beto Coimbra. Foto de Eva Joory, 1981 |
![]() Ou Isto ou Aquilo, com Leninha Pires, Silvia Aderne, foto Beto Coimbra, 1999. |
Através da boca do palhaço, resolvemos falar da nossa crise. Crise de sobrevivência
e de integração. Escrevemos, o Fala
Palhaço que estreou em junho de 1979. Para o cenário e adereços
nós continuamos usando o bambu. Era um material leve, bom de carregar.
Foi o primeiro espetáculo infantil que estreou no Villa Lobos.
Era um espetáculo sucinto, levava 50 minutos, como A Gaiola,
mas era um espetáculo trabalhoso com muitos objetos, e adereços.
As crianças se identificavam muito com os personagens. Não era
uma história dos bons contra os maus. Ficamos em cartaz e viajamos
por mais dois anos. Com Fala Palhaço também ganhamos prêmios,
de Direção, de Interpretação. Eu ganhei como atriz interpretando
uma menina levada.
Começamos novamente a pensar sobre um novo espetáculo, mas insatisfeitos
com todas as nossas pesquisas, e indecisos sobre o que fazer depois
de Fala Palhaço, lembramos de um espetáculo que havíamos visto
em 1979, quando viajávamos com A Gaiola de Avatsiú. Conhecemos
um grupo português em Lisboa, do José Caldas, e eles tinham montado Ou Isto ou Aquilo de Cecília Meireles. Pensamos: "Porque não falar
poemas para crianças?". Resolvemos então montar Ou Isto ou Aquilo.
Mas completamente diferente do espetáculo que vimos em Lisboa.
Do nosso jeito, claro. Foi um desafio: "Como dizer poemas de um jeito interessante?".
Queríamos sair do hermetismo com que os poemas geralmente são
ditos. Queríamos fazer de forma muito lúdica, com brincadeiras.
Escolhemos 24 poemas do livro, sem usar uma palavra nossa, interligados
com um fio condutor: o Ciclo da Vida. O medo agora era: "È um
espetáculo fácil demais de fazer". Era curto, tinha trinta e cinco
minutos. Depois de estrear, entretanto, todos acharam o espetáculo
uma filigrana. Delicado, e o que era mais surpreendente, parecia
transbordar emoção. Emocionava até aos adultos com a sua simplicidade
As crianças ficavam encantadas com o cenário e figurino feitos
de papelão. Linha Chapada. Tínhamos pouco dinheiro, para variar.
Isso foi em 1981.
Em 1983, montamos nossa única peça para adulto, A Comédia do
Coração, de Paulo Gonçalves, dirigida por Amir Haddad, que
fez uma curta temporada. A seguir tentamos ainda, montar mais
um espetáculo adulto para comemorar os dez anos do Hombú. Um espetáculo
adaptado de alguns livros da Adélia Prado, dirigido pelo Nelson
Xavier. Foi uma experiência muito interessante conduzida pelo
Nelson, mas aí, a Fernanda Montenegro estreou os textos que nós
estávamos montando. Resolvemos parar.
Em 1984, fui convidada a participar do elenco permanente do Teatro Ziembinski com direção de Walmor Chagas, onde durante dois anos só fiz teatro adulto, com montagens de autores brasileiros.
![]() História de Lenços e Ventos, com Sylvia Heller, Beto Coimbra, Gulu Monteiro, Ilo Krugli, 1991. |
O Hombú ficou parado, embora Beto e Sérgio tenham feito nessa ocasião uma montagem da Gaiola de Avatsiú em Brasília, com elenco local. Algum tempo depois, o Beto voltou de Brasília e resolvemos fazer uma retomada histórica, remontando todas as peças de nosso repertório inclusive História de Lenços e Ventos de nossas raízes teatrais. Foram seis meses de trabalho no Teatro Cacilda Becker, uma remontagem atrás da outra.
Em 1992, em comemoração aos quinze anos do Hombú, criamos um show musical. Convidamos Bia
Bedran, para interpretá-las e Ney Matogrosso para
dirigir. Chamamos de As Cinco Pontas de uma Estrela e era baseado nas músicas dos espetáculos que
já tínhamos realizados.
![]() As Cinco Pontas de uma Estrela. Equipe de realização: Beto Coimbra, Ney Matogrosso, Bia Bedran, Caíque Botkay e Silvia Aderne. Foto Ivan Klingen, 1992 |
![]() A Casa da Madrinha com Leninha Pires, Ronaldo Mota, Elza Moraes, Leandro Freixo, Mario Herneto, Silvia Aderne. Foto Ivan Klingen, 1995. |
![]() A Casa da Madrinha, Silvia Aderne. Foto Beto Coimbra, 1995 |
Novamente viajamos muito, fizemos oficinas,
trabalhamos com a Funarte, e em 1995 resolvemos montar um espetáculo
novo, A
Casa da Madrinha, de Lygia Bojunga Nunes e adaptação de
Eloy Araújo.
Chamamos o Luís Carlos Ripper para dirigir. Foi um encontro
muito bonito que tivemos com o Ripper. Ele deu uma conotação
ao nosso novo espetáculo que eu no início achava que as crianças
não iam acompanhar a história. Eu acreditava que a montagem
era meio adulta, muito séria; que as crianças não iam entender
as músicas. Mas quando as músicas se juntavam com o
movimento ficava tudo muito claro e elas cantarolavam as canções,
mesmo sendo as letra longas e difíceis.
Tínhamos planos de adaptar com o Ripper, Sidharta. Vimos O Pequeno Buda no cinema... mas, então, o Ripper faleceu,
causando uma comoção e mudanças de plano no grupo.
O melhor é viajar...
Uma das melhores coisas que me aconteceu, foi viajar com o meu
Grupo pelo interior do Brasil, tendo contato com a realidade brasileira,
adaptando as peças de nosso repertório para todas as situações.
Viajando pelo Brasil, encontramos quando muito, crianças que já viram circo, mas nunca teatro.
Nosso grupo não tinha tradição de um teatro de rua, mas fizemos espetáculos na rua, em praças, dentro de igrejas, em rodoviária e em presídios. Foi maravilhoso! Realizar bem nosso trabalho seja em que lugar for. São experiências inesquecíveis. Essa é a beleza do teatro.
Novo Fôlego
Atualmente, estamos adaptando uma trilogia do Betinho (Herbert
de Souza). A Trilogia das Centopéias. Acabamos de gravar
um CD com músicas e poemas do espetáculo Ou Isto ou Aquilo. Nosso
primeiro CD em vinte e poucos anos de trabalho. O Lançamento deste
CD, será acompanhado de uma temporada do espetáculo no Teatro
do Museu da República. Continuamos tentando levantar recursos
para viabilizar a Casa Hombú, na Lapa. Onde queremos fazer o que
sempre sonhamos: uma casa de teatro para crianças e jovens. Um
centro de muitas atividades que podem ser feitas nas praças e
em outros locais.
Criança
Minha opção pela criança partiu de minha ligação com a educação e com a arte. Primeiro com crianças, depois para crianças. Primeiro com bonecos, depois bonecos e atores... a partir daí, nunca mais parei e nem pretendo parar.
Criança é a base da sociedade. O que podemos esperar de uma criança no futuro se ela não recebe cultura. Criança precisa de teatro ainda mais que o adulto. Não vou deixar nunca de fazê-lo. É isso que me tem feito feliz todos esses anos.
| Espetáculos |
|
|